O empresário Rodrigo Leonardo de Lima Alcântara, o "Rei da Sucata", foi preso no sábado (7 de novembro) em São Paulo, enquanto comprava joias num shopping de luxo. Ele é apontado pela Polícia Civil do Rio como operador de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho.

Rodrigo estava foragido desde maio, quando foi alvo da operação que investigou a estrutura financeira da facção. Ele ganhou o apelido por atuar no comércio, na reciclagem e na fundição de metais e sucatas, sobretudo cobre.

A Polícia Civil o localizou numa joalheria de alto padrão da capital paulista. A apuração aponta ligação financeira dele com Antônio Ilário Ferreira, o "Rabicó", apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho e chefe do tráfico no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ).

Como funcionava o esquema

A investigação, batizada Operação Contenção, apura desde maio de 2026 uma estrutura interestadual de lavagem que teria movimentado mais de R$ 453 milhões.

Segundo a investigação, o esquema usava empresas de reciclagem e comércio de sucata para dar aparência legal ao dinheiro do tráfico.

Segundo a Polícia Civil, o método incluía depósitos fracionados em dinheiro e notas fiscais sem lastro. Também havia transferências entre pessoas físicas e jurídicas sem relação econômica compatível. Equipes da DRE identificaram locais usados para queima clandestina de cabos de cobre.

A rede operava em pelo menos seis estados.

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Por que o caso envolveu os EUA

A captura de Rodrigo juntou a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), o Grupo de Segurança Institucional do Ministério Público de Minas Gerais e o Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

A presença de uma agência americana numa prisão estadual não é comum. Ela reflete o alcance internacional que casos de lavagem ligados a facções brasileiras vêm ganhando.

Em outubro, um brasileiro foi condenado a 12 anos nos EUA por lavar dinheiro do PCC, facção rival do Comando Vermelho.

O padrão de usar negócio legítimo como fachada também apareceu em agosto, quando a Polícia Civil mirou lavagem do CV num clube e numa pousada no Rio.

O padrão por trás do flagrante

O caso repete um padrão já flagrado pela Polícia Civil em outras frentes contra o Comando Vermelho. O método é um negócio de aparência legal dando lastro a dinheiro ilícito. Fica a pergunta sobre quantos negócios assim ainda operam sem suspeita.