A COP31, a conferência do clima da ONU, começa na segunda-feira (9 de novembro) em Antalya, na Turquia, e vai até dia 20. É a primeira depois da COP30, sediada em Belém (PA), e funciona como teste do que ficou combinado por lá.

A reunião de líderes de Estado e de governo está marcada para os dias 11 e 12 de novembro, com 77 chefes de Estado e de governo confirmados até agora.

Entre eles está o presidente Lula, que retomou a agenda internacional após a reeleição com a COP31 como primeiro destino e deve chegar à Turquia em 10 de novembro, antes de seguir para a cúpula da Asean, nas Filipinas.

O que ficou combinado em Belém

A COP30 terminou em 22 de novembro de 2025 com a aprovação do Pacote de Belém, um conjunto de 29 decisões endossadas por 195 países sobre financiamento, adaptação, transição justa, comércio, gênero e tecnologia.

O compromisso mais citado foi o Roteiro Baku-Belém, construído com a presidência da COP29: a meta de elevar o financiamento climático global a pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035.

Os países também combinaram triplicar o financiamento internacional para adaptação no mesmo prazo.

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado pelo Brasil, já mobilizou US$ 6,7 bilhões, segundo a presidência da COP30. O Plano de Ação de Saúde de Belém recebeu US$ 300 milhões do Fundo de Financiadores do Clima e Saúde.

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O que ficou de fora

O texto final de Belém não trouxe compromisso global de redução do uso de combustíveis fósseis, o petróleo e o carvão que mais contribuem para o aquecimento do planeta. A lacuna foi amplamente registrada por analistas e pela imprensa internacional na época.

É esse o primeiro teste de Antalya: a pauta formal da COP31 inclui o Programa de Trabalho sobre Mitigação, criado para acelerar o corte de emissões, mas uma reunião preparatória em junho não produziu acordo sobre os termos da iniciativa entre os países.

A Turquia, anfitriã, chega com proposta própria: elevar a eletricidade no consumo global de energia de 23% para 35% até 2035, forma indireta de reduzir o peso dos fósseis sem negociar corte direto. O financiamento segue como o ponto mais controverso da agenda.

O ponto em aberto

O Roteiro Baku-Belém fixou um número redondo e distante, 2035, sem cronograma de quanto cada país rico deve entregar a cada ano até lá. Antalya é a primeira chance de transformar essa meta em compromissos concretos e verificáveis.

Sem isso, o número de US$ 1,3 trilhão repete o destino de outras metas climáticas que soaram ambiciosas no papel. A comitiva brasileira que Lula convidou para a viagem vai testemunhar se o roteiro sai do papel.