O presidente Lula chamou de "mentira" uma propaganda sobre fome exibida pela Globo e pediu investigação, na sexta-feira (6 de novembro). O anúncio é do Pacto Contra a Fome, com dado da Pnad Contínua, pesquisa oficial do IBGE sobre segurança alimentar.
O roteiro do vídeo diz: "Você sabe o que vai comer hoje? 7 milhões de brasileiros não. Sem alimentação, muitas crianças têm seu futuro ameaçado." O texto fala em 7 milhões de brasileiros, não em 7 milhões de crianças.
Ainda ontem eu estava em casa tomando uma sopa, um creme de aspargo, e quase me engasgo quando vi uma propaganda na Globo.
A frase é de Lula, durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em Brasília. Ele pediu a investigação da propaganda, meses depois de dizer em debate que Flávio Bolsonaro "não sabe o que é fome".
Em nota, a Globo atribuiu a campanha ao Pacto Contra a Fome e disse que os dados vêm da Pnad Contínua, pesquisa oficial do IBGE.
O Pacto Contra a Fome confirmou que o número de 7 milhões é uma aproximação: a Pnad 2024 identificou 6,48 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave. A entidade disse que o vídeo cita brasileiros, não especificamente crianças.
O que mudou nos números da fome?
Os números oficiais mostram queda: a insegurança alimentar grave caiu de 4,1% dos domicílios em 2023 para 3,2% em 2024, o menor nível da série histórica da pesquisa. Em pessoas, a estimativa foi de 8,47 milhões para 6,48 milhões.
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A queda é a maior melhora da série, mas os números ainda deixam milhões de brasileiros sem garantia de comida todos os dias. Programas como o Brasil Sem Fome, que soma municípios ao mutirão contra a fome, miram justamente essa parcela.
No total, a parcela de domicílios em insegurança alimentar, leve, moderada ou grave, caiu de 27,6% para 24,2% entre 2023 e 2024. O período coincide com o reajuste do piso do Bolsa Família, pago a partir de outubro.
O que falta responder nessa polêmica
Os dados da Pnad confirmam a queda na insegurança alimentar grave, e tanto o Pacto Contra a Fome quanto a Globo dizem usar a mesma pesquisa do IBGE.
O que gerou a polêmica não foi o número, mas a leitura dele: Lula entendeu que a propaganda falava em crianças, quando o roteiro citava brasileiros em geral.
Fica em aberto se a crítica presidencial muda a forma como campanhas sociais vão citar dados do IBGE daqui para frente.






























