O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a chamar a Venezuela de território e afirmou ter retirado do país "bilhões de dólares", em entrevista à CBS gravada na sexta-feira (6 de novembro) e exibida no domingo (8 de novembro) no programa 60 Minutes.

"Ganhamos a Venezuela e já tiramos milhares e milhares e milhares de milhões de dólares. Vamos continuar tirando muitos bilhões mais. Pode chamar de território, pode chamar como quiser", disse Trump ao jornalista Ross Douthat.

A fala repete o tom do discurso de Trump no Monumento a Lincoln, na segunda-feira (2 de novembro), quando chamou a situação de "nossa conquista da Venezuela" e disse que os dois países somam quase 50% do petróleo mundial.

Por que a fala preocupa o Brasil

A declaração reacende o temor do governo brasileiro com o precedente de uma potência se apropriar de território alheio pela força. O caso remete à operação que capturou o então presidente venezuelano em janeiro deste ano.

A operação que capturou Nicolás Maduro e a mulher, Cilia Flores, em 3 de janeiro, levou os dois aos Estados Unidos, onde ele enfrenta acusações de narcotráfico. O secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou o episódio de "um precedente perigoso" e disse estar "profundamente alarmado".

O Itamaraty, em nota após reunião com o presidente Lula, informou não haver movimentação anormal na fronteira entre Brasil e Venezuela e disse não haver registro de brasileiros entre as vítimas dos ataques.

Um dia depois, Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha assinaram nota conjunta chamando a ofensiva de "um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regionais", por contrariar a proibição do uso da força prevista no direito internacional.

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A fronteira entre Brasil e Venezuela soma cerca de 2,2 mil quilômetros, segundo o Senado.

Ela é dividida entre os estados de Roraima e Amazonas e concentra a maior rota de refúgio de venezuelanos para o Brasil.

O Brasil reconheceu 128.810 refugiados venezuelanos entre 2020 e 2025, nove em cada dez refugiados reconhecidos no país no período. Só por Roraima entraram 92.584 deles. Essa é também a rota mais exposta a uma eventual escalada militar na fronteira.

Trump também citou o petróleo como justificativa econômica para a presença americana. Em outubro, Washington fechou acordo de 100 anos para receber petróleo venezuelano em refinarias do Texas.

O que acontece agora

A entrevista completa vai ao ar no domingo (8 de novembro), às 19h (horário dos EUA), na CBS e no Paramount+. Washington e Caracas negociam a permanência de militares americanos no território venezuelano, o que mantém o tema na pauta diplomática do Brasil.