O presidente de Israel, Isaac Herzog, encarregou no domingo (8 de novembro) o general da reserva Gadi Eisenkot de formar o próximo governo do país, em um revés para o premiê Benjamin Netanyahu. Eisenkot tem até 42 dias para fechar uma coalizão.

A decisão veio depois de dois dias de consultas de Herzog com os partidos eleitos para o Knesset, o parlamento israelense. Eisenkot obteve o apoio de 67 deputados, incluindo 19 dos dois partidos árabes. Netanyahu recebeu 46 recomendações.

Uma fissura no bloco governista ficou evidente nas consultas: o Judaísmo Unido da Torá, aliado tradicional de Netanyahu, recusou-se a recomendá-lo. O revés chega dias depois de o presidente Lula citar a perda de força de Netanyahu como exemplo em discurso.

Ainda assim, o mandato de Herzog não tira Netanyahu do poder automaticamente.

Eisenkot tem, no papel, maioria parlamentar. Mas ainda precisa fechar uma coalizão de fato, o que já derrubou tentativas anteriores na política israelense.

Quem é o general que desafia Netanyahu

Eisenkot nasceu em 19 de maio de 1960, em Tiberíades, filho de imigrantes judeus marroquinos. Se chegar ao cargo de premiê, será o primeiro chefe de governo sefardita da história de Israel.

Ele serviu 41 anos nas Forças de Defesa de Israel (IDF), dos quais quatro como o 21º chefe do Estado-Maior General, entre 2015 e janeiro de 2019. Comandou tropas na Cisjordânia durante a segunda intifada e na guerra de 2006 contra o Hezbollah, no Líbano.

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Hoje com 66 anos, Eisenkot liderou o partido de centro Yashar nas eleições de 27 de outubro, que terminaram sem maioria definida, e se tornou o principal rosto da oposição a Netanyahu.

O que cada lado quer

Eisenkot busca formar o que chama de "governo de emergência nacional": uma coalizão minoritária com quatro partidos de oposição judaicos, que somam 48 cadeiras, o próprio Yashar, o bloco "Juntos" (Naftali Bennett e Yair Lapid), o Yisrael Beiteinu (Avigdor Liberman) e os Democratas (Yair Golan).

Ele impôs quatro condições à coalizão: reconhecer Israel como Estado judaico, democrático, liberal e igualitário; honrar a Declaração de Independência; manter o serviço universal (militar, nacional ou civil); e reconhecer o Hamas como organização terrorista.

Na prática, essa última condição barra os partidos árabes do gabinete, embora eles possam apoiar o governo de fora. Netanyahu, por sua vez, advertiu que um governo apoiado por partidos árabes levaria ao "colapso" de Israel, nas palavras dele.

O premiê disse defender um "governo de unidade". A oposição responde que a primeira condição para isso é a sua própria saída do poder.

Já a Lista Unida, principal partido árabe israelense, afirmou que apoiar Eisenkot atende à "demanda popular de impedir o retorno de Netanyahu", mesmo sabendo que ficará fora do gabinete.

O ponto em aberto

A aritmética favorece Eisenkot no papel, mas governar com uma coalizão minoritária de 48 cadeiras, dependente do apoio externo de partidos que não podem integrar o gabinete, é mais frágil do que parece no primeiro dia.

Se os 42 dias passarem sem acordo, a lei israelense manda o país de volta às urnas. É a mesma regra que vale para qualquer indicado, e por isso a aritmética favorável de hoje ainda não garante o governo.