O Centrão articula votar na Câmara, em novembro, o sistema distrital misto nas eleições proporcionais, bandeira de Hugo Motta (Republicanos-PB) e do PSD de Gilberto Kassab. Alemanha e Itália, que já adotaram versões do modelo, tiveram de reformar as regras várias vezes.
A proposta prevê uma transição em duas etapas: o distritão a partir de 2030 e o modelo misto definitivo em 2034.
Hoje reúne o apoio formal de União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, da federação PSDB-Cidadania e do Podemos. Segundo Kassab, o bloco vai fechar questão pela primeira vez em torno do tema.
A TV Sim Brasil já mostrou o que muda se o Brasil adotar o voto distrital misto a partir de 2034, a etapa final de uma transição que o Centrão quer destravar ainda este mês.
PT e PL, as duas maiores bancadas do Congresso, resistem à mudança. O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto, diz que vai orientar o partido contra o novo modelo, e parlamentares do PT temem efeito sobre a representação de grupos minoritários na Casa.
A justificativa oficial mudou três vezes desde que Motta assumiu a Câmara: em abril de 2025 apareceu sem diagnóstico claro, em novembro virou blindagem contra o crime organizado e agora mira os chamados puxadores de voto.
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Puxador de voto é o candidato com votação acima de duas vezes o quociente eleitoral. O Centrão já havia articulado, em outubro, conter o avanço desses puxadores nas redes sociais como argumento para a mudança.
Os países que já tentaram o modelo e tiveram de reformar de novo
A Itália adotou um sistema misto em 1993, trocou em 2005, aprovou outro em 2015 que nunca chegou a valer e retornou a um modelo misto em 2017, reformado de novo neste ano. A Alemanha também mudou de regra várias vezes.
As cadeiras excedentes do modelo alemão levaram o Tribunal Constitucional a derrubar a lei eleitoral em 2008 e em 2012, até o parlamento fixar o tamanho máximo da Casa em 630 deputados, numa reforma de 2023.
No Lesoto e na Coreia do Sul, partidos criaram legendas-satélite para driblar a compensação.
O que acontece agora
Motta quer colocar o projeto em votação na Câmara ainda em novembro, depois de ampliar o diálogo com partidos de esquerda, como PT, PCdoB, PV, Rede e PSOL, e de direita, como PL e Novo, que ainda resistem ao texto.
Até ministros do STF já defenderam publicamente o mesmo modelo, como mostrou a TV Sim Brasil em outubro.
O ponto em aberto
Os países que adotaram modelos parecidos levaram entre uma e três décadas até fixar uma versão estável das regras, e ainda assim seguem ajustando.
O cronograma brasileiro promete votar em semanas uma mudança que só deve valer a partir de 2034, com o distritão como etapa intermediária. Fica em aberto se o desenho final vai equilibrar representação e governabilidade melhor do que os sistemas já refeitos lá fora.






























