Donald Trump afirmou, na terça-feira (3 de novembro), que os EUA vão parar de repassar os US$ 4 bilhões anuais que davam a Israel, a partir do fim deste ano. O acordo, segundo ele, foi fechado há meses com o premiê Benjamin Netanyahu.
Já concordamos que, até o final deste ano, não faremos mais pagamentos a Israel. Agora, ajudaremos Israel se for necessário.
A frase é de Trump, em entrevista ao programa "Fox & Friends", da Fox News. Segundo ele, Israel não precisa mais do dinheiro, e democratas usam o apoio financeiro dos EUA ao país como argumento para criticar os republicanos.
Por que Israel diz não precisar mais da ajuda
A posição de Trump não surgiu do nada. Em maio, Netanyahu já dizia à CBS que esperava tornar Israel independente do apoio militar americano em uma década. Em carta de junho, escreveu que era hora de Israel "passar de receptor de ajuda a parceiro".
Um memorando separado, que prevê US$ 3,8 bilhões em ajuda militar anual, só vence em 2028. Washington e Tel Aviv já negociam o que vem depois dele.
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, Israel já recebeu cerca de US$ 308 bilhões dos EUA, mais do que qualquer outro país.
O país também é um dos maiores compradores de armas americanas: cerca de 69% de todo o equipamento bélico que busca vem dos Estados Unidos.
Em 2025, porém, Israel não foi nem o maior receptor da ajuda externa americana. A Ucrânia, outro foco da presença militar dos EUA no mundo, recebeu US$ 6,75 bilhões, quase o dobro dos US$ 3,31 bilhões enviados a Israel, segundo levantamento do governo americano.
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A mudança também acompanha o humor da opinião pública americana. Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac, de junho, mostrou que 66% dos democratas acham que os EUA apoiam Israel demais, ante 20% quando a mesma pergunta foi feita pela primeira vez, em 2017.
O apoio a Israel, antes consenso nos dois partidos americanos, virou um tema que divide o Partido Democrata por dentro.
Candidatos críticos a Israel vêm vencendo prévias do Partido Democrata, e até parlamentares moderados da legenda desafiam cada vez mais décadas de apoio ao país.
O Brasil, por sua vez, condenou publicamente Israel 64 vezes desde o início da guerra em Gaza, mais que o dobro das vezes em que criticou o Hamas.
O ponto em aberto
Trump não disse a qual financiamento exatamente se referia, e o gabinete de Netanyahu, que em outubro chamou o Brasil de "pequeno país", não comentou o anúncio até a publicação desta reportagem.
O memorando que garante os US$ 3,8 bilhões em ajuda militar só vence em 2028. Fica em aberto se o corte anunciado na terça-feira (3 de novembro) se soma a esse valor ou antecipa uma mudança que Washington e Tel Aviv já negociavam.































