A Gerdau demitiu 280 trabalhadores na terça-feira (3 de novembro), depois de anunciar o fim da produção de aço na fábrica de Divinópolis (MG), segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da cidade. A unidade chegava a ter cerca de 600 funcionários antes dos desligamentos.

Segundo o presidente do sindicato, Anderson Willian, outros 120 funcionários receberam propostas de transferência para unidades da empresa em outras cidades do país.

A Gerdau atribuiu a decisão à perda de competitividade da operação. Em nota, a empresa citou a dificuldade de acesso a minério de ferro a custos competitivos, o avanço das importações de aço no Brasil e condições desfavoráveis para exportar.

Parte dessa pressão vem de fora: a crise imobiliária na China tem turbinado a importação de aço chinês mais barato no Brasil, um dos fatores que pressionam o setor nacional.

O g1 questionou a Gerdau sobre o número total de desligamentos e se a fábrica seguiria funcionando com outra produção, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.

O impacto em Divinópolis

A prefeita de Divinópolis, Janete Aparecida (Avante), disse que a cidade é fortemente impactada: mais de mil pessoas são afetadas direta ou indiretamente, entre trabalhadores próprios, terceirizados, comércio e prestadores de serviço.

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Por trás dessa decisão, existem histórias, trabalhadores e famílias que dependem desses empregos.

"Sabemos que essa decisão envolve questões econômicas do mercado internacional do aço, mas nossa preocupação, neste momento, é com as pessoas", completou a prefeita, dizendo que não é hora de buscar culpados.

A fábrica responde por até 15% do ICMS arrecadado pelo município. No entorno da unidade, há mais de 2 mil empresas, 93% delas microempresas, segundo levantamento da prefeitura.

A disputa política em torno do fechamento

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) associou o fechamento ao governo Lula. Na terça-feira (3 de novembro), ele compartilhou a notícia nas redes e escreveu: "Ou a gente para o Lula, ou o Lula vai parar o Brasil".

A própria Gerdau não atribuiu a decisão a uma política do governo federal: a empresa citou custo do minério de ferro, concorrência das importações e dificuldade para exportar como as razões do fechamento.

O que acontece agora

A prefeita afirmou que busca formas de mitigar os efeitos. Em 29 de outubro, ela já havia se reunido com a diretoria da siderúrgica para discutir alternativas, entre elas uma paralisação temporária para preservar empregos.

A Gerdau disse que estuda transferir parte dos funcionários para outras unidades da empresa em Minas Gerais, como a usina de Ouro Branco. A companhia também vai oferecer cursos de qualificação técnica e workshops de recolocação profissional.

No balanço do 3º trimestre, divulgado em 26 de outubro, a empresa registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,5 bilhão entre julho e setembro, puxado pelas operações na América do Norte.

O aço importado também vem da China, que bateu recorde de exportações e vem pressionando a indústria brasileira em outros setores além do siderúrgico.