A Flórida transferiu 18 locais de votação de última hora por causa de inundações na terça-feira (3 de novembro), horas antes de os Estados Unidos abrirem as urnas da eleição que decide o controle do Congresso americano na segunda metade do mandato de Donald Trump.

Segundo a Secretaria de Estado da Flórida, a mudança atingiu sete condados: Brevard, Highlands, Indian River, Martin, Okeechobee, Palm Beach e St. Lucie. O aviso saiu às 6h15 no horário local (9h15 em Brasília), 45 minutos antes da abertura das urnas.

O governador Ron DeSantis havia decretado estado de emergência nos sete condados na segunda-feira (2 de novembro).

"Para a segurança e proteção de nossos funcionários eleitorais e dos eleitores de Brevard, é necessário realocar alguns locais de votação devido a essas circunstâncias sem precedentes", disse Tim Bobanic, supervisor de eleições do condado de Brevard, em comunicado.

Em muitos casos, as seções foram incorporadas a outros locais que seguem abertos. A mudança é permitida pela lei estadual em casos de emergência, quando o prazo normal de aviso não pode ser cumprido.

Donald Trump discursa ao ar livre, com bandeira dos Estados Unidos ao fundo
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O que está em jogo no Congresso

Nas midterms de hoje, os eleitores escolhem os 435 deputados da Câmara e 35 dos 100 senadores, incluindo os dois assentos da Flórida. A maioria no Senado é hoje de 53 republicanos contra 47, e na Câmara, de 218 a 214, com três vagas abertas.

Democratas precisam de três cadeiras a mais para retomar a Câmara; republicanos não podem perder mais que duas.

O histórico pesa contra o partido do presidente. Desde 1930, quem governa a Casa Branca perde, em média, 28 cadeiras na Câmara e 4 no Senado nas eleições de meio de mandato, e em 18 das últimas 20 midterms desde 1946 isso se confirmou.

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"O cenário avançou com a guerra e os efeitos sobre os preços, que têm baixado a aprovação do Trump", afirma Silvio Cascione, diretor do Eurasia Group.

Para o cientista político Hussein Kalout, pesquisador de Harvard, "apoiadores fervorosos se desvinculam dele, pois entendem que a causa MAGA não é implementada como ele prometeu".

Para o Brasil, o resultado tem efeito indireto. Grande parte do tarifaço de Donald Trump contra produtos brasileiros foi imposta por poder executivo.

Então, mesmo que os democratas conquistem a Câmara ou o Senado, a maioria das tarifas segue fora do alcance direto do Congresso, como já mostrou a TV Sim Brasil ao explicar como o resultado de hoje pode travar as tarifas contra o Brasil.

O ex-embaixador Rubens Barbosa avalia que não há efeito direto no curto prazo, porque as sobretaxas continuam sendo decisão do Executivo americano.

Em outubro de 2025, cinco senadores republicanos já haviam se unido a democratas em uma resolução para revogar as tarifas contra o Brasil, sinal de uma fissura bipartidária que não chegou a derrubar a medida.

Uma pesquisa da AP-NORC mostra que 64% dos americanos avaliam que Trump foi longe demais com as tarifas em geral. A disputa pelo Congresso também é apontada por analistas como fator que pode elevar o dólar e os juros no Brasil nas próximas semanas.

O que acontece agora

O resultado das midterms só deve ser consolidado de madrugada no horário de Brasília, porque o país tem nove fusos horários e os últimos estados a votar ficam no Alasca e no Havaí, no Pacífico.

A Flórida também é onde o derrotado Flávio Bolsonaro está hospedado desde o fim do 2º turno. De lá, ele transmite sobre o resultado da eleição brasileira, como mostrou a TV Sim Brasil na reportagem sobre a candidatura que Flávio citou para 2030.