Israel lembra nesta quarta-feira (7) três anos do ataque liderado pelo Hamas, que matou cerca de 1.200 pessoas em 2023. Entre as vítimas, quatro eram brasileiras, parte dos cerca de 14 mil brasileiros que vivem no país, segundo levantamento do CEBRI.

O Itamaraty condenou o ataque dias depois, em nota: "Brasil repudia e condena, de forma inequívoca, os ataques." Mas o posicionamento do governo brasileiro ao longo dos três anos seguintes seguiu um padrão bem mais dividido.

Um padrão de 64 contra 10

Levantamento do Poder360, citado pela Gazeta do Povo, mostra que o Itamaraty emitiu pelo menos 64 notas criticando bombardeios e operações das Forças de Defesa de Israel entre outubro de 2023 e junho de 2025.

No mesmo período, foram apenas 10 notas condenando Hamas, Houthis, Hezbollah e Irã.

O desequilíbrio numérico reflete a própria divisão do discurso oficial do Brasil: condenar o ataque de 2023, mas concentrar a maior parte das notas seguintes nas operações militares israelenses na região, incluindo Gaza e, mais recentemente, ataques ao Irã.

Na Cúpula do BRICS, em novembro de 2023, o presidente Lula sintetizou essa dualidade. Disse que "três brasileiros foram vítimas desses ataques" e defendeu a libertação imediata dos sequestrados.

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O quarto brasileiro, Michel Nisenbaum, só teve a morte confirmada em maio de 2024, após ser feito refém em Sderot. No mesmo discurso de 2023, Lula condenou o que chamou de "força indiscriminada e desproporcional contra civis" na resposta israelense.

O que diz Israel, três anos depois

Para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o saldo dos três anos é positivo. "O Estado de Israel é o país mais forte do Oriente Médio, e nossos inimigos estão mais fracos do que nunca", disse.

Netanyahu citou ainda que 90% dos moradores da região de Tekuma, esvaziada após o ataque, já retornaram para casa.

A guerra em Gaza que se seguiu ao ataque já matou cerca de 74 mil pessoas, segundo estimativas. Um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entrou em vigor em outubro do ano passado.

Mesmo assim, 1.460 pessoas morreram no território palestino desde então, segundo o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas.

O aniversário chega a menos de três semanas das eleições gerais de Israel, marcadas para 27 de outubro, as primeiras desde o ataque. Pesquisas apontam que Netanyahu deve sair derrotado.

O que acontece agora

A tensão diplomática entre Brasil e Israel segue viva neste ano eleitoral. Israel usou um vídeo na ONU com uma arara para representar o Brasil, episódio seguido pela confirmação de que a delegação brasileira não chegou a ser expulsa da ONU por Netanyahu.

O 1º turno da eleição brasileira, por sua vez, já dividiu opiniões em Israel, Venezuela e Colômbia.