As exportações do agro argentino somaram US$ 2,88 bilhões em outubro, alta de 157% sobre outubro de 2025, segundo a Ciara (Câmara de Comércio da Indústria Oleaginosa) e o CEC (Centro de Exportadores de Cereais), que reúnem 48% das vendas externas do setor.
O resultado veio dos embarques de milho, farelo de soja e trigo, favorecidos por preços internacionais elevados e pela oferta menor do Hemisfério Norte. Na comparação com setembro, as vendas recuaram 10%.
O salto de 157%, porém, tem uma explicação que não aparece no número isolado. Em setembro de 2025, o governo argentino havia zerado temporariamente as retenções (impostos de exportação) para captar dólares antes das eleições daquele país.
A medida esvaziou os embarques de outubro de 2025, criando uma base de comparação artificialmente baixa que infla o percentual de alta um ano depois. Mesmo assim, reportagens argentinas classificam outubro de 2026 como o melhor para o setor em 25 anos.
No acumulado de 2026, a liquidação financeira dos exportadores argentinos soma US$ 25,16 bilhões, ainda 14% abaixo do mesmo período de 2025.

O que isso muda para o Brasil
A Argentina é concorrente direta do Brasil nos mesmos grãos, e vem ganhando espaço no milho. O país vizinho deve embarcar 45 milhões de toneladas do cereal no ciclo 2025/26, contra 43 milhões do Brasil, que pode perder o 2º lugar mundial no produto.
Publicidade
As exportações brasileiras de milho somaram 4,15 milhões de toneladas nos 16 dias úteis de outubro, ritmo 12,1% mais lento que em 2025, com preço médio 14,8% maior. O país já havia perdido o 2º lugar na exportação de milho para a Argentina em setembro.
No farelo de soja, a vantagem argentina sobre o Brasil vem encolhendo. Caiu de 86% em 2021 para cerca de 8% nas projeções mais recentes, porque o Brasil ampliou sua capacidade de esmagamento enquanto o processamento argentino ficou estagnado.
O governo argentino também reduz os impostos de exportação de forma estrutural. Pelo Decreto 423/2026, a alíquota sobre a soja cai de 24% para 15% até 2028, e a de trigo e cevada já caiu de 7,5% para 5,5%.
O que acontece agora
A queda no ritmo das exportações brasileiras de milho já pressiona o preço interno, como mostrou a TV Sim Brasil ao detalhar a queda de 31% nas vendas externas em setembro.
Enquanto isso, o Brasil tenta compensar espaço perdido em grãos com avanços em outras frentes do agro, caso da carne bovina, que levou 20 novos frigoríficos brasileiros habilitados a exportar à China nesta semana.































