Os Estados Unidos atacaram, na segunda-feira (2 de novembro), a ilha iraniana de Qeshm, no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. É o mais recente de uma série de ofensivas dos EUA contra o Irã.
Moradores relataram 5 explosões e avistaram 2 aviões sobre a ilha. Qeshm abriga um depósito subterrâneo de mísseis, uma base naval e uma usina de dessalinização.
O local já havia sido alvo de outros ataques americanos. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) não respondeu ao pedido de comentário do Wall Street Journal.

Por que o ataque interessa ao bolso do brasileiro?
O Brasil importa diesel e segue as cotações internacionais de petróleo na bomba. No mesmo dia do ataque a Qeshm, o Brent caiu 7,63%, para US$ 104,77, depois de Trump dizer que um acordo com o Irã "pode acontecer".
O governo brasileiro estima R$ 3,6 bilhões em subsídios à gasolina e ao etanol neste ano para segurar o preço nos postos.
Quem ganha com a guerra?
O conflito também abriu uma oportunidade comercial para o Brasil. Com o Estreito de Ormuz praticamente fechado desde 28 de fevereiro, o país vendeu US$ 15,1 bilhões em petróleo à China no 1º semestre de 2026, alta de 62% sobre o mesmo período de 2025.
Hoje, menos de 10 navios cruzam o estreito por dia, ante cerca de 100 antes da guerra. O Brasil virou um dos fornecedores alternativos para os chineses.
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Do lado iraniano, o porta-voz do Exército, Mohammad Akraminia, afirmou que "uma nova guerra pode durar mais do que a anterior".
O Irã propôs, em 1º de novembro, reabrir o Estreito de Ormuz em até 2 dias se os EUA aceitarem reduzir a presença militar no Oriente Médio e abrir uma rota alternativa pelo Omã.
O que está em aberto
Trump disse que não planeja atacar o Irã depois das eleições de terça-feira (3 de novembro) e afirmou estar "vencendo com facilidade". Mas o próprio governo americano segue com ataques pontuais e sem anúncio público, como o de Qeshm.
Uma análise publicada por esta reportagem já apontava o risco de a guerra ganhar nova escala justamente após o pleito americano.
A proposta iraniana de reabertura em dois dias só passa a valer quando os EUA aceitarem as condições — o que ainda não aconteceu.































