Uma eventual maioria democrata no Congresso dos EUA, decidida nas eleições de meio de mandato da terça-feira (3 de novembro), deve limitar a ação externa de Trump, mas não a tarifa cobrada do Brasil, avalia o professor Leonardo Trevisan, da ESPM.

O que que isto significa? Que Trump vai ter um freio nas suas ações externas. Opa, isso nos diz respeito.

A frase é de Trevisan, professor de Relações Internacionais, em entrevista ao Radar News (SBT News) na segunda-feira (2 de novembro). Para ele, um novo Congresso demora para mexer no orçamento e nas tarifas, mas reage rápido na política externa.

O que o resultado muda para a relação com o Brasil

Para o Brasil, o resultado pesa mais na fiscalização do que no valor da tarifa. Um Senado democrata assume o Comitê de Relações Exteriores e ganha poder de convocar autoridades do governo Trump para prestar contas.

Na terça-feira (3 de novembro), os eleitores renovam as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado. O resultado define a composição do Congresso para a segunda metade do mandato de Trump.

O ponto que mais interessa ao Brasil é a tarifa de 50% que Trump impôs a produtos brasileiros em julho.

Segundo o site NC News, entre as condições que o governo americano apresentou ao país nas negociações sobre a tarifa estavam a garantia de eleições livres e justas em 2026 e o compromisso de não prender, deter ou limitar arbitrariamente pessoas classificadas como dissidentes políticos.

O resultado também depende do voto latino nos estados-pêndulo, os poucos que decidem o equilíbrio de forças no Congresso. Segundo Trevisan, são eles que tendem a definir a eleição mais uma vez.

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A relação bilateral também passa pelo caso de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos. Recebeu autorização do governo americano para permanecer no país.

Segundo o SBT News, ele é alvo de três investigações da Polícia Federal.

Nenhuma delas terminou em condenação até agora.

Em entrevista à TV 247 na sexta-feira (30 de outubro), Trevisan já descrevia dois cenários diferentes para a política externa americana, um antes e outro depois do resultado da terça-feira (3 de novembro).

O professor também aponta um efeito na direção oposta. O desfecho das eleições de 2026 no Brasil, somado à postura de não confronto direto do governo Lula com Washington, colocou o país em posição que ele compara à de potências médias como o Canadá.

Ele cita a produção de petróleo, a liderança em exportação de grãos e carne e o papel em recursos estratégicos, como as terras raras que atraem o interesse de Trump, na disputa entre Estados Unidos e China por investimentos.

No dia seguinte à vitória eleitoral de Lula, Trump reclamou do resultado à imprensa. "Bem, para mim, a situação pareceu péssima. Achei que teve uma aparência terrível. Não tomei partido, mas pareceu ser mais uma eleição fraudada", disse o presidente americano, sem apresentar provas.

O que acontece agora

A apuração das midterms começa a sair ao longo da noite da terça-feira (3 de novembro), à medida que os estados fecham as urnas, e o novo Congresso só toma posse em janeiro, na segunda metade do mandato de Trump.

O resultado já deve pautar a próxima rodada de negociação do tarifaço entre Brasil e EUA, retomada depois do primeiro turno das eleições brasileiras.