Mais de 53,6 milhões de americanos já haviam votado antecipadamente até domingo (1º de novembro) nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, que ocorrem na terça-feira (3 de novembro). O número supera os 46 milhões votos de 2022.

No Brasil, onde o voto é eletrônico e concentrado em um único dia, essa opção simplesmente não existe.

Dos votos já registrados até o meio-dia de domingo, cerca de 29,8 milhões foram presenciais e 23,9 milhões, pelo correio, segundo o Election Lab da Universidade da Flórida. A votação presencial terminou no domingo em vários estados.

O modelo americano espalha a eleição por semanas: cada estado define seu próprio prazo para votar cedo, pessoalmente ou pelo correio, antes do dia oficial. No Texas, mais de 7 milhões de eleitores já haviam votado; Geórgia e Carolina do Norte também tiveram alta procura.

Em jogo nos EUA estão as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 vagas no Senado e diversos governos estaduais. Trump não está na cédula, mas fez da eleição um teste do próprio governo.

O presidente Donald Trump, que não está na cédula, intensificou a campanha pelo Partido Republicano com comícios em Iowa e Kansas e uma maratona de ligações diretas a eleitores. "Mas vamos ter uma vitória muito maior na terça-feira", disse em Iowa.

Por que o Brasil não vota assim

O Brasil não tem voto antecipado porque todo o pleito é eletrônico e nacional, apurado em um único domingo, sem a votação continuada por semanas dos Estados Unidos.

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A diferença começa na própria regra de quem precisa votar. O voto é obrigatório no Brasil para quem tem entre 18 e 70 anos e sabe ler e escrever; é facultativo para analfabetos, jovens de 16 e 17 anos e maiores de 70.

Nos EUA, votar é sempre uma escolha, daí a aposta das campanhas em facilitar o acesso com semanas de antecedência, em vez de um único dia útil.

No 1º turno de 2026, o Brasil teve 158,7 milhões de eleitores aptos e abstenção de 21,08%, equivalente a 33,5 milhões de eleitores que não compareceram às urnas, segundo o TSE — o maior índice em 28 anos.

Por que o voto obrigatório é questionado

O voto obrigatório garante participação mesmo sem a logística de semanas dos EUA, mas a abstenção brasileira não é uniforme entre as idades.

Ela chega a cerca de 50% entre os maiores de 70 anos, dispensados da obrigatoriedade. Isso expõe um desenho pensado para outra pirâmide etária, numa época em que a cada eleição mais gente completa 70 anos e deixa de ser obrigada a votar.

Entre jovens de 16 e 17 anos, também facultativo, a abstenção fica em torno de 20%, mesmo com a dos idosos caindo 9,7 pontos nesta eleição. A regra foi criada décadas atrás.

A disputa americana também tem efeito direto no Brasil: o resultado de 3 de novembro pode travar ou destravar as tarifas de Trump contra produtos brasileiros.

O que acontece agora

A votação nos Estados Unidos ocorre na terça-feira (3 de novembro), e o resultado deve definir o controle da Câmara, do Senado e de governos estaduais pelos próximos dois anos.