O Departamento de Defesa dos EUA envia um terceiro porta-aviões ao Oriente Médio, o USS Theodore Roosevelt, com mais 10 mil soldados. O anúncio do reforço militar ajudou a levar o petróleo Brent a fechar em alta de 4,37% nesta quinta-feira (1º).

O Theodore Roosevelt vai se juntar ao George H.W. Bush e ao George Washington na região, desde que os dois continuem lá quando o terceiro chegar. Segundo o Wall Street Journal, a previsão é de que ele alcance a área em novembro.

Com a chegada do novo porta-aviões, os EUA devem reunir mais de 20 mil fuzileiros navais e marinheiros na região, além de centenas de aeronaves. É um nível de presença naval fora do padrão para a área.

Até o fim de outubro, a região pode ter três porta-aviões ao mesmo tempo.

Por que o reforço militar acontece agora

O movimento ocorre em meio a rumores de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode determinar a retomada dos ataques ao Irã depois das eleições de meio de mandato do país, em 3 de novembro.

Washington pressiona Teerã a abandonar o programa nuclear e reabrir o Estreito de Ormuz, rota que concentra parte do fluxo mundial de petróleo, e aceitar termos para encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro deste ano.

A indefinição sobre a guerra e o impasse entre EUA e Irã sobre o Estreito de Ormuz seguem pressionando os mercados de energia. O Brent (contrato de dezembro) fechou a US$ 102,31 o barril; o WTI de novembro, a US$ 92,87, alta de 2,71%.

Porta-aviões USS Theodore Roosevelt navegando em alto-mar, com caças posicionados no convés
O USS Theodore Roosevelt, porta-aviões da Marinha dos EUA, é o terceiro a ser enviado ao Oriente Médio. Foto: U.S. Navy/Wikimedia Commons (domínio público)

A escalada de preços já aparece no mercado de diesel dos Estados Unidos, onde o combustível passou de US$ 6,50 por galão ao consumidor, com efeito direto sobre o transporte de carga e a agricultura americana.

Nesta quinta, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse em Moscou que as exportações de diesel russo só serão retomadas quando as sanções ao país forem suspensas. A proibição decretada pelo governo russo foi prorrogada até o fim de outubro.

O que já chegou ao bolso do brasileiro

O efeito da tensão no Oriente Médio já apareceu no Brasil nesta quinta. A Petrobras reajustou o preço do querosene de aviação em 11,76%, para R$ 6,242 o litro, atribuindo a alta à guerra no Oriente Médio.

A estatal também opera sob pressão à parte no mercado de diesel, por causa do veto russo às exportações do combustível, em vigor desde julho.

A crise já havia custado R$ 37,5 bilhões ao Brasil em episódios anteriores de tensão no Oriente Médio.

Mercados de energia costumam reagir rápido a movimentações militares no Oriente Médio, mesmo antes de qualquer ataque de fato. Um novo salto no preço do barril tende a chegar à bomba brasileira antes mesmo de qualquer disparo ser dado.

O que acontece agora

O Theodore Roosevelt deve chegar ao Oriente Médio em novembro, no mesmo mês das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro. É esse calendário eleitoral que analistas apontam como o gatilho para uma decisão de Trump sobre o Irã.