A copilota Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, avisou o namorado sobre turbulência e gelo minutos antes de o jato em que trabalhava cair na Flórida, no domingo (1º de novembro). Filha de brasileiros, ela estava entre as nove vítimas do Learjet 60.

Segundo o padrasto dela, Thiago Corteleti, de 44 anos, a mensagem foi enviada por volta das 12h40, cerca de dez minutos antes do acidente.

Ela simplesmente disse: estou com turbulência, estou com gelo.

A frase foi contada por Corteleti ao jornal americano New York Post, que teve acesso ao relato da família. É um dos poucos registros diretos do que a tripulação percebia no ar nos minutos antes da queda.

O Learjet 60 fazia a rota entre Austin, no Texas, e as Bahamas, e caiu em Greenacres, no condado de Palm Beach, a cerca de 9 milhas do resort Mar-a-Lago. A aeronave transportava sete passageiros e dois tripulantes.

A tripulação pediu socorro por rádio pouco antes da queda, numa comunicação divulgada pelas autoridades americanas.

O que investiga o NTSB?

O National Transportation Safety Board (NTSB), agência de investigação de acidentes dos Estados Unidos, apura se a tempestade e o acúmulo de gelo contribuíram para a queda, com participação da FAA (Federal Aviation Administration).

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Em levantamento preliminar, a agência informou que o avião pode ter se partido no ar antes do impacto, com destroços espalhados por uma área de até 800 metros perto de Greenacres.

Nathalia nasceu na Flórida, filha de pais brasileiros, e obteve a licença de piloto aos 17 anos, antes mesmo de tirar a carteira de motorista. Ela acumulava mais de 1,3 mil horas de voo e havia se formado na escola de aviação American Flyers.

Morreram também o capitão Jeff Gregory, de 55 anos, e os outros sete ocupantes do avião que caiu no domingo: o empresário de tecnologia Adam Robinson, de 44 anos, e a mulher dele, Helen.

Também viajavam os dois filhos pequenos do casal, a babá da família e dois amigos próximos.

O que acontece agora

O NTSB deve analisar os destroços e os dados da aeronave para apontar a causa definitiva do acidente, um processo que costuma levar meses. A investigação segue tratando a tempestade e o acúmulo de gelo relatados pela tripulação como as principais hipóteses para a queda.