A americana Critical Metals Corp, listada na Nasdaq, vai pagar cerca de R$ 18 milhões por 8% da mineradora australiana Power Minerals, dona do projeto de terras raras Morro do Ferro, no Sul de Minas Gerais, em acordo fechado na terça-feira (3 de novembro).
Pelo acordo, a Power Minerals vai emitir 35,7 milhões de novas ações, a 0,14 dólar australiano cada, todas compradas pela Critical Metals. Com a operação concluída, a americana passa a deter cerca de 8% da mineradora.
O dinheiro vai financiar mais perfurações no Morro do Ferro, para medir a extensão e a profundidade das concentrações de terras raras já encontradas na região de Poços de Caldas.
A Critical Metals não compra participação direta na mina brasileira. Ela se torna acionista da Power Minerals, que também tem outros projetos minerais na América do Sul.
Por que o interesse por terras raras cresceu
O Brasil tem a 2ª maior reserva de terras raras do mundo, mas produz apenas 0,5% do total global, atrás da China, que domina o processamento do minério usado em ímãs, baterias e equipamentos militares.
O Sul de Minas virou alvo de mineradoras internacionais de olho nesse gargalo. Em setembro, a também australiana Lynas comprou outro projeto de terras raras na mesma região por R$ 3,5 bilhões, quase 200 vezes o valor do aporte da Critical Metals.
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O governo de Minas Gerais já deu tratamento prioritário ao licenciamento ambiental do Morro do Ferro. O projeto passa a ser analisado pela Superintendência de Projetos Prioritários (SUPPRI), e não pela fila regional comum.
Tratamento prioritário não é licença concedida. A mineradora ainda precisa obter as licenças prévia, de instalação e de operação, e o acordo não garante benefício fiscal, financiamento ou prazo de obra.
"A Power está perto de uma grande descoberta de terras raras no projeto Morro do Ferro, no Brasil, com resultados de teor consistentemente excepcionais desde a superfície", disse o presidente-executivo da Critical Metals, em comunicado.
A Critical Metals, avaliada em mais de US$ 1 bilhão em valor de mercado, já tem um projeto de terras raras na Groenlândia e disputa uma licitação do governo do Quênia para outro projeto de terras raras e nióbio.
A aposta no Brasil soma mais uma frente a esse portfólio de minerais críticos espalhado por três continentes.
O movimento também passa pela corrida dos Estados Unidos para reduzir a dependência de terras raras da China. O governo americano já apoia outras mineradoras do setor, como MP Materials e USA Rare Earth.
O que acontece agora
Os primeiros resultados dos testes metalúrgicos do Morro do Ferro são esperados para o último trimestre de 2026.
Segundo a Power Minerals, o cenário otimista aponta início da produção comercial em 2030, e o mais conservador, em 2032, ainda sujeitos à conclusão do licenciamento ambiental.































