Eleitores dos Estados Unidos vão às urnas na terça-feira (3 de novembro) para decidir a composição do Congresso nas midterms, as eleições de meio de mandato. A apuração começa às 20h de Brasília, mas o resultado final pode levar dias.
A apuração nos Estados Unidos é descentralizada. Diferentemente do Brasil, não existe um órgão único centralizando a contagem, como o TSE brasileiro.
Cada estado define suas próprias regras de votação, com as 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado em disputa, segundo a Comissão de Assistência Eleitoral dos EUA (EAC).
Em 2022, 70% dos eleitores registrados votaram em áreas que usavam cédula de papel preenchida à mão, segundo levantamento da organização Verified Voting citado pela Reuters.
Outros 23% ficaram em locais com dispositivos de marcação eletrônica que também geram comprovante em papel, e 7% em urnas que armazenam o voto só na memória. Depois do encerramento, as cédulas seguem para os órgãos eleitorais locais, num trabalho feito por milhares de voluntários.
Quanto tempo a apuração pode levar?
A apuração pode levar dias, e a Califórnia costuma ser o estado mais lento. O estado aceita cédulas enviadas pelo correio com carimbo postal datado até a terça-feira (3 de novembro), mesmo que cheguem depois.
Isso faz quem lidera as primeiras parciais nem sempre vencer a disputa final.
O precedente de 2022 mostra o tamanho do atraso possível. Naquele ano, o controle do Senado só foi confirmado quatro dias depois da votação, quando a democrata Catherine Cortez Masto venceu em Nevada.
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A maioria republicana na Câmara só saiu oito dias após o pleito. Nesta eleição, as últimas urnas dos Estados Unidos fecham às 15h de quarta-feira (4 de novembro), horário de Brasília, nas Ilhas Aleutas, no Alasca.
A disputa também passou pelo Judiciário antes da votação. A Suprema Corte dos EUA negou o pedido de Trump para barrar 20 mil votos antecipados da Califórnia, cédulas que autoridades federais alegavam pertencer a estrangeiros inscritos de forma ilegal nas listas eleitorais do estado.
O que muda para o Brasil?
Para o Brasil, o resultado interessa porque o Congresso americano tem poder constitucional sobre comércio exterior e tarifas. Uma maioria democrata na Câmara ou no Senado poderia convocar autoridades do governo Trump e ampliar a fiscalização sobre as tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
Ana Carolina Marson, professora de Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), avalia que um resultado favorável aos democratas pode destravar um clima melhor entre os dois países, sem apagar o conflito comercial.
Acredito que possa ter uma melhoria das relações, mas que essa melhoria não significa uma mudança completa, disse Marson.
O governo Trump aplicou uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros em julho, com base na Seção 301 da legislação comercial americana. O Brasil tem a segunda maior tarifa dos EUA na América Latina.
Mesmo com um Congresso mais hostil a Trump, a avaliação em Brasília é que há pouco espaço para reverter a tarifa no curto prazo, porque o presidente ainda tem outros instrumentos legais para mantê-la.
É esse equilíbrio de forças no Congresso que vai decidir se a Casa Branca passa a enfrentar fiscalização real sobre a política comercial que já pesa nas exportações brasileiras.
O Brasil retomou as negociações sobre o tarifaço depois do fim do calendário eleitoral brasileiro, e o governo adiou o aval ao novo embaixador americano até depois das midterms.
O que acontece agora
Depois da votação, os primeiros resultados começam a sair ainda à noite, estado por estado.
Distritos com grande volume de voto pelo correio, como a Califórnia, só devem fechar a contagem em semanas. Os eleitores também escolhem governador em 36 estados este ano.
Os candidatos tomam posse em 3 de janeiro, mas como essa data cai num domingo em 2027, o novo Congresso só se instala em outro dia se uma lei fixar uma data alternativa.































