O governo brasileiro vai esperar o resultado das eleições legislativas dos EUA, marcadas para terça-feira (3 de novembro), antes de liberar o aval a Daniel Perez, embaixador indicado por Trump. Perez já foi confirmado pelo Senado americano, mas falta o agrément do Planalto.

A decisão de aguardar faz parte de uma estratégia mais ampla. Segundo apurou o InfoMoney, a avaliação no Planalto é que as midterms podem mudar a correlação de forças no Congresso americano e influenciar toda a relação bilateral.

O governo já havia optado por não reagir à ida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos, depois da derrota eleitoral. Investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), ele teve os passaportes cancelados por determinação do ministro Alexandre de Moraes.

Mesmo assim, cruzou a fronteira com a Argentina na terça-feira (27 de outubro) com um passaporte italiano. A Polícia Federal apura as circunstâncias da saída do país.

Na quinta-feira (29 de outubro), Trump disse querer conversar com Lula, mas voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro sem provas. Segundo o InfoMoney, não há telefonema agendado, e o governo ressalta que a reeleição foi amplamente reconhecida pela comunidade internacional.

A cautela política não impede os contatos técnicos. O chanceler Mauro Vieira participa na sexta-feira (30 de outubro) e no sábado (31 de outubro) da reunião de chanceleres do G20, em Atlanta, com o secretário de Estado americano Marco Rubio.

É com um dos principais aliados da família Bolsonaro no governo Trump que o chanceler brasileiro está sentado à mesa.

As eleições de terça-feira renovam as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Hoje o Senado tem 53 republicanos e 45 democratas; a oposição precisa de um ganho líquido de quatro cadeiras para o controle.

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Na Câmara, os republicanos têm 218 cadeiras contra 214 dos democratas.

Se os democratas vencerem no Senado, poderão travar indicações do governo Trump para embaixadas, caso do próprio Perez, e para o Judiciário federal. Na Câmara, a oposição ganharia força para abrir investigações e pedir documentos ao Executivo.

Deputado estadual da Flórida, de 39 anos, Perez foi indicado por Trump em junho e confirmado pelo Senado americano por 51 votos a 47.

A indicação rompeu com a praxe diplomática. Trump anunciou o nome antes de o Brasil conceder o agrément, episódio que escalou quando a Casa Branca revogou o visto da então embaixadora brasileira.

A relação também carrega o peso das tarifas. Desde 22 de julho, os EUA taxam produtos brasileiros em 25%, com exceções para café, carne bovina e suco de laranja. Para 85,3% do volume atingido, a tarifa se soma a outra de 25% existente, somando 37,5%.

O Brasil e os EUA criaram um grupo de trabalho sobre o tema e aguardam uma nova proposta americana, negociação retomada depois da eleição brasileira.

Nenhuma das frentes tem prazo certo.

O que acontece agora

Os americanos votam na terça-feira (3 de novembro) para definir o controle do Congresso. Só depois do resultado o Planalto deve decidir o agrément de Perez, e o grupo de trabalho sobre tarifas deve se reunir de novo.

A reunião do G20 em Atlanta termina no sábado (31 de outubro). Os chefes de Estado do bloco se encontram em 14 e 15 de dezembro, no resort Trump National Doral, em Miami.