As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, na terça-feira (3 de novembro), definem o controle do Congresso e podem abrir caminho para investigar o visto concedido a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deixou o Brasil após a derrota para Lula no 2º turno.
Americanos elegem os 435 deputados da Câmara e renovam 35 das 100 cadeiras do Senado. Hoje, republicanos controlam as duas Casas.
Para os democratas assumirem a Câmara, precisam de um saldo líquido de 4 cadeiras; no Senado, também precisam de 4, diante da maioria republicana de 53 a 47.
Uma vitória democrata abriria caminho para investigar decisões da Casa Branca envolvendo o Brasil, incluindo a concessão do visto a Flávio e sua família e a possível participação de autoridades americanas na saída dele do país após a derrota para Lula (PT).
Em 30 de outubro, 25 deputados democratas cobraram explicações do secretário de Estado, Marco Rubio, sobre a emissão do visto a Flávio, à esposa e às duas filhas.
"O povo americano e o Congresso têm interesse legítimo, no âmbito da função de fiscalização, em entender se recursos diplomáticos e de imigração americanos foram usados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias", diz a carta assinada pelos 25 deputados.
O New York Times revelou que um integrante da Casa Branca forneceu o jato particular usado por Flávio para deixar o Brasil. O caso já havia motivado outra carta, assinada por 31 congressistas em setembro, cobrando que o governo americano não interferisse nas eleições brasileiras.
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Para Mark Langevin, analista sênior da consultoria Horizon Engage, uma maioria democrata deve se empenhar em apurar as circunstâncias da concessão do visto e o papel do secretário de Estado no episódio. Rubio já confirmou que a autorização partiu diretamente de Trump.
O alcance das investigações depende do resultado das urnas. Mesmo com maioria nas duas Casas, os democratas teriam dificuldade para aprovar leis contra a vontade de Trump, mas ganhariam o poder de convocar depoimentos e abrir inquéritos.
Para Nick Zimmerman, pesquisador sênior do Inter-American Dialogue e ex-diretor para Brasil e Cone Sul na Casa Branca de Barack Obama, a maior mudança com uma eventual maioria democrata seria a abertura de investigações sobre o governo republicano.
O resultado também pode mexer no tarifaço contra produtos brasileiros, tema que já estava em jogo antes da votação da terça. Em paralelo, três deputados do CPC, a bancada progressista do Congresso, cobraram que Trump reconheça a vitória de Lula no 2º turno.
O que acontece agora
A apuração deve se estender pela noite da terça nos Estados Unidos, com resultados concentrados nas primeiras horas da quarta-feira (4 de novembro), no horário de Brasília. Os parlamentares eleitos tomam posse em janeiro de 2027.
O grupo de cerca de 100 congressistas que já cobra explicações sobre o Brasil pode ganhar mais integrantes com os parlamentares eleitos na terça.































