Os Estados Unidos renovam toda a Câmara dos Representantes e 35 cadeiras do Senado na terça-feira (3 de novembro). O resultado decide se os republicanos mantêm a maioria que dá a Trump margem para governar por decreto, inclusive nas tarifas contra o Brasil.
Diferentemente do Brasil, o Congresso americano é renovado parcialmente a cada dois anos: toda a Câmara dos Representantes, de mandato bienal, e um terço do Senado, cujos integrantes cumprem seis anos de mandato.
O Partido Republicano, de Trump, venceu a maioria das duas Casas em 2024 e manteve a legenda no controle da pauta e das votações desde então. A margem, porém, é estreita. Parte dos próprios parlamentares republicanos já contrariou o presidente em votações importantes.
Para o professor de relações internacionais Carlos Gustavo Poggio, especialista em política americana e ouvido pelo g1, o resultado de terça-feira é o que mais preocupa Trump.
Com uma mudança no Congresso, a principal preocupação do Trump é com todas as investigações que serão feitas sobre malfeitos durante a administração dele. E os democratas já deixaram isso claro.
"O atual Congresso tem sido muito omisso e deixado muito Trump fazer aquilo que ele quer", completa o professor.
Segundo Poggio, Trump tem ignorado o Congresso e governado por meio de ordens executivas, equivalentes a decretos presidenciais. Foi por decreto que o presidente impôs tarifas comerciais a vários países, incluindo o Brasil, sem precisar da aprovação do Legislativo.
Caso o Partido Democrata conquiste a maioria em uma das Casas, poderá bloquear propostas do presidente, ampliar as investigações sobre o governo e influenciar decisões de orçamento, impostos e política comercial americana, segundo análise da InfoMoney. Um impeachment, porém, é cenário improvável para Poggio.
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O que muda para o Brasil
Uma vitória democrata não encerraria as tarifas por conta própria. A maior parte delas foi imposta por ordem executiva, poder que pertence ao presidente, não ao Congresso. É o que aponta o Washington Brazil Office, organização que acompanha a relação bilateral.
O efeito mais provável, segundo a organização, seria reduzir a capacidade de Trump de conduzir a relação bilateral sem contestação política em Washington.
O tarifaço de Trump já havia derrubado em 9,7% as exportações do Brasil aos Estados Unidos desde que entrou em vigor.
Um raio-X da tarifa sobre o comércio bilateral mostrou qual fatia das exportações brasileiras é afetada pelo decreto presidencial. A disputa interna americana também já havia virado tema na política brasileira.
Trump usou uma carta sobre Flávio Bolsonaro como parte de sua estratégia eleitoral nos Estados Unidos na reta final da disputa presidencial brasileira.
O que acontece agora
A votação ocorre na terça-feira (3 de novembro), e os primeiros resultados devem sair ainda durante a madrugada de quarta-feira (4 de novembro), horário de Brasília. Os parlamentares eleitos tomam posse em janeiro de 2027, quando o novo Congresso passa a vigorar.































