Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com 3.200 homens em oito capitais mostra que 51% nunca foram a um urologista. O levantamento, feito com apoio do laboratório Bayer, ganha força durante o Novembro Azul, mês de prevenção ao câncer de próstata.

A pesquisa ouviu 400 homens em cada uma de oito capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Recife. Falta de tempo e medo foram os motivos mais citados para não ir ao urologista.

O padrão se repete em outras frentes da saúde masculina. Em julho, o Dia Nacional do Homem chamou atenção para o mesmo afastamento dos consultórios.

"O preconceito vem até da própria classe médica", diz o urologista Humberto Montoro, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e membro da Sociedade Brasileira de Urologia.

Para Montoro, o problema é a demora: "Quando o câncer vai dar sintomas, a doença em mais de 90% já está avançada."

O Brasil deve registrar mais de 77 mil novos casos de câncer de próstata por ano até 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), que soma 46 mortes por dia pela doença no país.

O rastreamento recomendado começa aos 50 anos para a maioria dos homens. Quem tem histórico familiar, é da raça negra ou tem obesidade deve antecipar o exame para os 40 ou 45 anos.

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Nesse grupo, o tumor costuma ser mais agressivo, segundo Montoro.

Por que o rastreamento preventivo não é para todo mundo

O Ministério da Saúde e o Inca não recomendam exame de rotina para homens sem sintomas, porque o teste pode gerar resultado falso-positivo, diagnóstico de tumores que nunca causariam problema e tratamento desnecessário. A decisão de rastrear é individual, feita com o médico.

Quem recebe o diagnóstico hoje tem à disposição tratamentos mais recentes, aprovados pelo CFM, com menos efeitos colaterais do que as terapias anteriores.

O que falta mudar

O preconceito em torno da saúde do homem não fica só do lado do paciente. O próprio urologista consultado reconhece que ele também aparece dentro do consultório.

A pesquisa da SBU mostra que metade dos homens nunca foi a um urologista, e a orientação oficial segue sendo não rastrear quem não tem sintoma. Falta, nesse meio-termo, o paciente vencer o medo antes que os sintomas apareçam.