O Brasil tem a segunda maior tarifa média dos Estados Unidos entre os países da América Latina e do Caribe, atrás só do Haiti, aponta relatório da Cepal. A tarifa brasileira está em 16,6%, mais que o dobro da média global de 11,1%.

Entre os 30 maiores fornecedores dos Estados Unidos, só a China enfrenta tarifa maior que a brasileira: 26,8% contra os 16,6% cobrados do Brasil.

Ficar atrás só da China nesse ranking mostra o tamanho do desafio comercial que o Brasil enfrenta nos Estados Unidos, segundo o relatório da Cepal.

O resultado reforça o Brasil entre os países mais afetados pela política tarifária dos Estados Unidos, à frente de vizinhos que pagam tarifas de um dígito, como México, Colômbia e Argentina.

Como o Brasil chegou a essa tarifa

O Brasil chegou a essa tarifa após três movimentos dos EUA em 2026: a Suprema Corte considerou inconstitucionais as tarifas recíprocas em fevereiro, uma investigação sobre trabalho forçado terminou em junho, e novas tarifas a 60 países entraram em vigor em julho.

A investigação levantou alegações de trabalho forçado no Brasil, usadas pelos Estados Unidos como justificativa para a tarifa adicional.

Publicidade

"Diante da falta de um fundamento jurídico interno que respalde sua política comercial protecionista", afirmou o governo brasileiro, ao rebater a alegação americana usada para justificar a tarifa adicional.

Nem todo produto brasileiro paga a tarifa cheia: o pacote tarifário abriu 864 exceções para itens do Brasil, o que ajuda a explicar por que a cobrança efetiva varia conforme o setor. Os detalhes dessas exceções foram anunciados pelos EUA em julho.

O que acontece agora

O que acontece agora é a negociação em curso entre os dois países. Brasil e EUA criaram um grupo de trabalho em outubro para discutir a redução da tarifa, e o resultado das eleições americanas de novembro pode mudar o rumo das conversas.

Enquanto a negociação não avança, o impacto já aparece nos números do comércio. O tarifaço reduziu a exportação do agro brasileiro aos Estados Unidos em 17,8%, segundo balanço divulgado em outubro.

A Cepal projeta, ainda assim, crescimento de 20% nas exportações de bens de toda a região latino-americana em 2026. O levantamento foi apresentado em 15 de outubro.