Os Estados Unidos elegem um novo Congresso na terça-feira (3 de novembro), em disputa que pode tirar a maioria republicana do Senado e da Câmara. A campanha já é a mais cara da história do Legislativo americano, com gasto estimado em US$ 11,6 bilhões.

Os democratas precisam de saldo de quatro cadeiras na Câmara e no Senado para tirar a maioria republicana, hoje de 53 a 47 cadeiras. Para isso, é preciso segurar o que já têm, caso de Michigan, e avançar em outros estados.

Segundo o correspondente Nilson Klava, da série "Poder à Prova" (g1/Jornal Nacional), os estados decisivos no Senado são Michigan, Iowa, Texas, Alaska, Ohio, Kansas e Maine. Trump venceu em todos eles na eleição anterior, com exceção do Maine.

A guerra no Irã e as tarifas comerciais fizeram parte desses eleitores mudar de opinião, segundo o correspondente.

Uma pesquisa divulgada na segunda-feira (2 de novembro) mostrou apenas 32% de aprovação para a gestão de Trump, o pior índice entre presidentes americanos recentes às vésperas de uma eleição de meio de mandato.

Historicamente, o partido do presidente perde cadeiras na Câmara nas eleições de meio de mandato, que funcionam como uma espécie de plebiscito sobre o governo. Se a oposição tiver maioria, ganha mais instrumentos para barrar medidas do presidente e fiscalizar o governo.

O que está em jogo para o Brasil

Para o leitor brasileiro, o resultado interessa porque mexe diretamente no câmbio e nas tarifas que o país paga para exportar aos Estados Unidos. O resultado das urnas pode pressionar o dólar e os juros no Brasil, segundo analistas.

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Um Congresso mais hostil a Trump também muda o jogo do comércio exterior. Se os democratas ganharem poder de fiscalização sobre a Casa Branca, as tarifas que mais afetam o Brasil podem ficar mais difíceis de manter.

As midterms da terça-feira (3 de novembro) podem travar o tarifaço imposto ao Brasil.

O tamanho do investimento ajuda a entender a disputa. Segundo o instituto AdImpact, até 12 de outubro a propaganda política já somava US$ 3,8 bilhões. A maior concentração de gastos está nas disputas de Senado no Texas, em Ohio e em Michigan.

A eleição no Michigan sozinha já é a mais cara da história do estado, com mais de US$ 243 milhões gastos até agora.

O valor total do ciclo deve superar o que foi gasto na eleição presidencial de 2024. Daria para pagar uns 150 lançamentos de um foguete, segundo o g1.

Como fica a disputa no dia seguinte

A apuração começa a sair ainda na terça-feira (3 de novembro) à noite. Resultados definitivos em corridas apertadas de Senado, como as do Michigan, do Texas e de Ohio, costumam demorar mais dias para fechar.

"O que está em jogo é muito importante e ajuda a entender o tamanho do investimento das campanhas nessa eleição", disse Klava na reportagem que acompanhou a votação em Michigan.

Os republicanos tentam blindar a maioria citando a economia e a segurança nas fronteiras. Os democratas apostam no desgaste de Trump com as tarifas e com a guerra no Irã para reverter o resultado em estados como Ohio e Kansas, tradicionalmente republicanos.