O Comitê de Política Monetária (Copom) decide a Selic na quarta-feira (4 de novembro), depois do fechamento do mercado, na primeira reunião após a reeleição de Lula. A taxa está em 13,75% ao ano, e pode interromper cortes consecutivos desde março.
Segundo opções negociadas na B3, a probabilidade de um corte de 0,25 ponto caiu de 76% para 26% em poucos dias. A manutenção da taxa virou a aposta predominante entre analistas.
O que mudou nos últimos dias?
Se o Copom mantiver a Selic, encerra uma sequência de cortes consecutivos que começou em março, como no corte para 14% ao ano em agosto, o quarto recuo seguido.
O desemprego está em 5,2%, e a inflação de serviços projetada segue acima de 6%. "Com o desemprego em 5,2%, o Copom encontra menos espaço para acelerar os cortes da Selic, principalmente diante do dólar pressionado", diz André Matos, da gestora MA7 Capital.
Para Camilo Cavalcanti, da Oby Capital, o mercado de trabalho segue um fator de pressão. "Mesmo com a desaceleração da atividade econômica já afetando setores mais sensíveis ao nível de juros, o mercado de trabalho continua apertado", afirma.
É também a primeira reunião do Copom depois da reeleição de Lula, em meio à incerteza fiscal do início do 4º mandato. O Boletim Focus da terça, o primeiro após a eleição, é esperado com piora nas projeções para os indicadores econômicos.
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A virada nas apostas do mercado é sobre o que o governo vai fazer com os gastos a partir de 2027, não sobre a inflação deste mês.
A relação entre o Banco Central e o Planalto já foi tensa. Em agosto, Lula chamou Gabriel Galípolo, a aliados, de sua maior traição política, pelos cortes mais lentos que o governo queria.
O que acontece agora
A decisão sai na quarta-feira (4 de novembro), depois do fechamento do mercado. Se vier a manutenção, muda o discurso do Copom sobre o ritmo dos próximos cortes, que o Boletim Focus já vinha ajustando para baixo.
O ponto em aberto
O mercado lê o Copom como termômetro da credibilidade fiscal do novo mandato, mais do que como reação a um mês de inflação. Nenhum dado publicado até agora explica sozinho a virada de 76% para 26% em poucos dias.
Isso sugere que o Copom pesa, nesta reunião, menos os números da economia real e mais o que o governo sinalizar sobre gastos em 2027.































