O ex-ministro José Dirceu (PT) disse que a reeleição de Lula não foi vitória do PT e defendeu uma "reconstrução" do partido. Dirceu, derrotado na disputa por uma vaga de deputado federal por São Paulo, falou ao jornal O Globo na terça-feira (3 de novembro).
"A vitória na eleição não foi do PT. Temos que tirar consequências disso, não pode só falar. Temos que fazer quase uma reconstrução do PT. E dialogar com Psol, Rede, PDT e PSB para construir uma força mais orgânica", disse Dirceu ao O Globo.
Para Dirceu, "houve uma revolução pacífica e democrática pelo voto no Brasil" e a sociedade pediu um governo que refletisse essa força na composição do Executivo.
Sobre a renovação do PT, que convocou o Diretório Nacional depois da disputa interna do pós-eleição, Dirceu disse que o Nordeste terá representação maior e que o partido só renova formalmente a direção em 2029.
Publicidade
"Temos de compreender melhor os setores da sociedade, sobretudo a juventude, insatisfeitos com a esquerda. Precisamos superar essa questão que o PT é antievangélico. Não podemos ter preconceito de que os evangélicos são bolsonaristas", disse Dirceu.
Sobre a sucessão de Lula, que completou 81 anos na semana passada, Dirceu disse que o próximo líder do PT terá "de provar isso governando ou liderando".
Ele citou o ministro Fernando Haddad como exemplo: "se destacou como ministro da Fazenda e da Educação e ganhou espaço. Perdeu a eleição, mas isso não quer dizer nada. O Lula perdeu 3 e se elegeu 4 vezes presidente".
O outro lado: o Centrão quer menos PT
Enquanto Dirceu pede mais espaço para a esquerda, partidos do Centrão fazem pressão oposta. União Brasil-PP, Republicanos, MDB e PSD reivindicam postos-chave como a Secretaria de Relações Institucionais e a Casa Civil, hoje com o PT, além da liderança do governo no Congresso.
Publicidade
"O governo tem que ser amplo. O presidente vai precisar de apoio e não pode fechar só com o PT no comando político", diz o deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), sobre a disputa que trava a formação do novo governo.
O que acontece agora
O governo negocia diretamente com o Centrão. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, disse que "o governo já nos procurou desta vez" e que "Lula precisa ter uma postura para unir o país".
A articulação, liderada pelo ministro Edinho Silva, segue nos bastidores em busca de governabilidade para o quarto mandato, que começa com a posse em 5 de janeiro de 2027.































