O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai condicionar a indicação de ministérios, no 4º mandato, a compromissos de voto no Congresso Nacional. Cada partido vai receber espaço na Esplanada com base em promessa de fidelidade às pautas do governo.

As negociações começam na semana que vem, depois do feriado. O prazo para fechar a composição dos ministérios é 20 de dezembro, antes da posse, marcada para 5 de janeiro.

Quem já entrou na negociação

O presidente do PT, Edinho Silva, foi designado para conduzir as primeiras conversas com os partidos, dando sequência ao movimento que levou Lula a articular governabilidade com o Centrão logo após a reeleição.

O MDB é o que mais avançou até agora. O partido acena com a possibilidade de garantir 30 votos ao governo, com o ex-governador do Pará Helder Barbalho entre os cotados a uma cadeira.

O PSD também foi liberado por Kassab para integrar o governo, no mesmo movimento de ampliar a base.

Dentro do próprio PT, o senador Camilo Santana (CE), ex-ministro da Educação, lidera as cotações para a Casa Civil. O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, é cotado para a Fazenda.

Por que acomodar aliados derrotados é um desafio à parte

Lula também vai ter de encaixar aliados que perderam suas eleições justamente por cumprirem missões a pedido dele. É o caso de Gleisi Hoffmann, Fernando Haddad e Paulo Pimenta.

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A pedido do presidente, Gleisi abriu mão da disputa à Câmara para concorrer ao Senado pelo Paraná, e não se elegeu.

Fernando Haddad, que deixou o Ministério da Fazenda para disputar o governo de São Paulo e perdeu, era até então o principal cotado para a Casa Civil, vaga que hoje está com Camilo Santana.

Paulo Pimenta teve o mesmo destino no Rio Grande do Sul.

O quadro de apoios no Congresso já preocupa o Planalto em outra frente. Lula terá apoio de só 7 dos 27 governadores a partir de 2027, o que torna o acordo com o Centrão ainda mais necessário para garantir maioria no Congresso.

O que acontece agora

Edinho Silva inicia as rodadas de conversa na semana que vem. Até 20 de dezembro, o Planalto precisa fechar nomes suficientes para formar maioria no Congresso antes da posse, em 5 de janeiro de 2027.