A agência de risco Fitch Ratings manteve a nota da dívida da França em A+ na sexta-feira (30 de outubro). A perspectiva, porém, caiu de estável para negativa, por juros mais altos, crescimento mais fraco e piora do déficit fiscal francês.

"Um crescimento mais fraco, uma nova deterioração fiscal e rendimentos mais elevados aumentaram a dificuldade de implementar a consolidação fiscal sustentada necessária para conter a trajetória de deterioração da dívida da França", escreveu a Fitch em comunicado.

O aviso eleva a pressão sobre o orçamento de 2027 na França.

Roland Lescure, ministro da Economia e Finanças da França
Roland Lescure, ministro da Economia e Finanças da França — Foto: Actu44/Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A agência projeta a dívida francesa subindo de 115,7% para cerca de 124% do PIB até 2028, com juros em 3,3% do PIB. O orçamento de 2027 mira déficit de 5%, mas a Fitch projeta rombo maior, de 5,5%.

A economia francesa encolheu no terceiro trimestre de 2026, de forma inesperada. A inflação de outubro acelerou para o maior nível desde o fim de 2023, segundo a mesma agência.

O PIB francês já encolhia na comparação com a Zona do Euro antes do novo alerta da Fitch. Mesmo assim, a nota A+ segue sustentada pela economia diversificada do país, pela governança institucional e pela posição na Zona do Euro.

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Não é a primeira vez que a Fitch rebaixa a avaliação sobre Paris. Em setembro de 2025, a agência já havia cortado a nota francesa de AA- para A+, a mais baixa já atribuída ao país por uma grande agência de risco.

A S&P Global seguiu o mesmo caminho em outubro de 2025. A Moody's mantém a França em Aa3, um a dois degraus acima de Fitch e S&P, mas também com perspectiva negativa desde 23 de outubro.

Como o Brasil se compara na régua das agências?

O Brasil está em patamar pior que a França na régua das agências: a Fitch mantém o país em BB, dois níveis abaixo do grau de investimento, nota reafirmada com perspectiva estável em junho de 2026.

A dívida bruta do Brasil soma cerca de 83% do PIB. É patamar menor que o projetado para a França. Mesmo assim, o país segue mais longe do grau de investimento.

A piora francesa mostra que até economias do G7 enfrentam pressão de juros e dívida crescente, mas isso não aproxima o Brasil do grau de investimento. A distância entre as notas das duas economias segue grande, mesmo com a trajetória de deterioração em Paris.

A Fitch já havia sinalizado riscos "significativos" para notas soberanas de mercados emergentes diante de tarifas dos Estados Unidos e dólar forte, cenário que também pressiona o Brasil pelos juros americanos em alta.

O que acontece agora

A Fitch prevê revisar a nota da França até o fim de fevereiro de 2027, no mais tardar. Até lá, o país deve ganhar mais clareza sobre a execução do orçamento de 2027.

Um novo corte na nota, e não só na perspectiva, depende disso.