Os Estados Unidos aprovaram, na sexta-feira (30 de outubro), a venda de 500 mísseis interceptadores Patriot PAC-3 à Ucrânia, por US$ 2,1 bilhões (cerca de R$ 11,4 bilhões). É uma das medidas mais significativas de armas defensivas a Kiev no governo Trump.
A aprovação sai um dia depois de um ataque com drones russos matar ao menos 14 pessoas numa plataforma ferroviária lotada em Dnipro.
Outras 5 pessoas morreram em ataques contra duas cidades da região no mesmo dia, e um míssil atingiu Kiev à noite, matando mais 1.
Por que a venda demorou quase um mês
O presidente Volodimir Zelenski disse, no início desta semana, que a Ucrânia aguardava a autorização havia quase um mês para um envio que considera essencial. O atraso tem explicação política, não só logística.
A relação entre Trump e Zelenski se deteriorou nas últimas semanas. Em março de 2025, Trump já havia suspendido temporariamente ajuda militar e compartilhamento de inteligência com Kiev, pressionando por um acordo com Moscou.
O pano de fundo mudou pouco desde então. A Rússia atacou a Ucrânia um dia depois de Trump anunciar acordo de diesel com Moscou, episódio que o presidente americano usou para cobrar de Zelenski o fim dos ataques ucranianos a refinarias russas.
Quem paga a conta e quem ganha com o negócio
A Ucrânia não vai pagar a conta sozinha. Canadá, Alemanha e Noruega financiam a compra pelo programa americano JumpStart, somados a recursos do Empréstimo de Apoio à Ucrânia, da União Europeia.
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Do outro lado do negócio está a Lockheed Martin, contratada principal da venda, que em julho já havia fechado com o Exército americano um contrato de até US$ 58,6 bilhões para produzir mais mísseis Patriot.
A mesma empresa que vende o interceptador para a Ucrânia também expande fábrica e contratação nos Estados Unidos com dinheiro do próprio governo americano.
A empresa diz que esse contrato permite triplicar a capacidade de produção dos PAC-3 MSE até 2030 e ampliar em 50% os empregos na fábrica em Camden, no Arkansas, de 1.200 para cerca de 1.850 postos.
Fornecer armas aos aliados tem um custo que vai além do dinheiro. Segundo a CNN Brasil, os EUA usam munições em operações militares próprias, como no Irã, o que já preocupa o Pentágono quanto ao estoque de sistemas essenciais de defesa aérea.
O giro diplomático de Trump com a Rússia também chega ao Brasil pela porta da energia. O acordo de diesel entre os dois países já mexe no mercado de combustíveis brasileiro, mostrando como as negociações da guerra ultrapassam o território ucraniano.
O ponto em aberto
A venda atende ao pedido que Zelenski já fazia havia quase um mês, mas o ritmo dos ataques russos não deu trégua para esperar: a leva de ataques desta semana matou ao menos 20 pessoas.
A Ucrânia diz há meses precisar urgentemente de mais interceptadores.
Resta saber se 500 mísseis, pagos majoritariamente por terceiros, chegam a tempo de fazer diferença antes do inverno, ou se viram mais uma rodada no mesmo ciclo de pedido, atraso e ataque que já dura anos.































