O Jockey Club de São Paulo fechou acordo com a Prefeitura da capital para quitar dívida tributária de R$ 871 milhões com pagamento de R$ 228 milhões à vista. Em troca, vai construir um parque municipal de 85 mil m² na Cidade Jardim.
O prazo para entregar o parque, dentro do hipódromo, é outubro de 2028. O desconto de R$ 643 milhões usou as condições do Programa de Transação Tributária do município, que permite negociar débitos com o poder público.
Como ficou a conta da dívida
Segundo a Prefeitura, o hipódromo devia mais de R$ 905 milhões por inadimplência: cerca de R$ 500 milhões em IPTU, R$ 300 milhões de ISS e o restante em outros tributos.
O acordo foi formalizado na quinta-feira (29 de outubro), com a assinatura de um termo de cooperação entre a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o clube, envolvendo a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento e a Procuradoria Geral do Município.
O Jockey é um equipamento parado, perdido. É um grande problema para a cidade. Eles devem milhões, a gente fica cobrando e não consegue receber. Mas agora a gente resolve esse problema.
A frase é do prefeito Ricardo Nunes, na assinatura do acordo.
O que o parque vai ter e por que o clube aceitou o acordo
O parque vai ocupar a área interna da pista do hipódromo, cedida ao município, com quadras esportivas, lagos, bosque sensorial, circuito de caminhada, espaços infantis e áreas para animais de estimação.
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O investimento de R$ 100 milhões é bancado pelo banco BTG Pactual, que também vai restaurar o hipódromo. O acordo evita um cenário mais duro para o clube.
Antes dele, um projeto já aprovado pela Câmara e sancionado por Nunes previa a desapropriação do terreno por causa das dívidas. O Jockey chegou a pedir recuperação judicial em 2025 para se defender dessa medida.
Trocar desapropriação por parque entregue pelo próprio clube é também uma forma de a Prefeitura resolver o problema sem assumir a conta da reforma.
Internamente, o Jockey soma outras dívidas além da tributária municipal: durante CPI na Câmara, o conselheiro Renato Junqueira Filho disse que a nova gestão identificou passivo total de R$ 1,3 bilhão, somando débitos trabalhistas e cíveis.
O desconto de até 90% em dívida pública negociada não é exclusividade de São Paulo. João Pessoa também estendeu prazo de renegociação de dívidas com descontos de até 90% neste ano.
Reestruturar dívida bilionária para seguir de pé não é exclusividade do Jockey. A SAF do Botafogo também reduziu sua dívida bilionária neste ano, por outro caminho: a saída de uma credora.
O investimento de grandes grupos financeiros em clubes endividados também vem de outros esportes. Bilionários compraram o controle de Atlético, Cruzeiro e Vasco nos últimos anos, atraídos por ativos imobiliários e de marca.
O que acontece agora
A parceria já foi aprovada por unanimidade pelos associados do Jockey, em assembleia realizada em 13 de outubro. Agora, clube e BTG têm até 1º de outubro de 2028 para entregar o parque de 85 mil m² à cidade.































