O presidente do PSD, Gilberto Kassab, decidiu liberar o partido para integrar o governo de Lula, reeleito no 2º turno de 25 de outubro. O PSD ficou neutro depois que seu pré-candidato, Ronaldo Caiado, teve apenas 2,18% dos votos no 1º turno.

Gilberto Kassab, presidente do PSD, em reunião
Gilberto Kassab, presidente do PSD. Foto: Jérémy Barande/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Internamente, a avaliação do partido é que a neutralidade mantida durante o 2º turno favorece o PSD nas negociações com o governo eleito. A sigla elegeu 44 deputados federais e 4 governadores no pleito de 2026.

A neutralidade era só do partido como instituição. Na prática, dois dos nomes mais fortes do PSD romperam com ela por conta própria.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, declarou apoio pessoal a Flávio Bolsonaro ainda no início do 2º turno. Em declaração pública durante a campanha do 1º turno, Caiado havia se referido ao senador como “ladrão”.

Dias depois, o governador do Paraná, Ratinho Junior, também do PSD, seguiu o mesmo caminho e declarou apoio a Flávio. Kassab manteve a posição oficial de neutralidade mesmo com os dois governadores mais influentes do partido rompendo com ela.

Antes do resultado, Kassab evitava se aproximar do senador. Ele chegou a dizer que torcia para não haver caos institucional caso Flávio vencesse.

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O PT já cortejava o PSD havia semanas: em outubro, antes mesmo do 2º turno, o partido de Lula negociava apoio de Republicanos e PSD para a reta final da campanha.

Ficar fora da aliança com qualquer um dos dois lados deu ao PSD a carta que faltou aos partidos que já tinham escolhido um time: negociar com o vencedor sem compromisso anterior.

Os 44 deputados e os 4 governadores eleitos pelo PSD tomam posse em 2027, mesmo ano da posse do novo mandato de Lula, marcada para 5 de janeiro.