O Ibovespa fechou a sexta-feira (30 de outubro) em queda de 0,75%, aos 167.921,80 pontos, no quinto pregão seguido de perdas. Na semana, a Bolsa caiu 18,12%, a pior marca desde março de 2020, e o dólar fechou a R$ 5,446.

Como mostra reportagem da Exame, a queda reflete a reprecificação dos ativos brasileiros depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25 de outubro), resultado que contrariou parte das apostas do mercado em troca de governo.

Investidores haviam colocado nos preços a possibilidade de alternância de poder e mudança na condução da política econômica. A confirmação de Lula no cargo elevou a percepção de risco fiscal entre os investidores.

Na terceira sessão seguida de perdas, na quinta-feira (29 de outubro), a Bolsa já registrava fuga de R$ 2,8 bilhões em capital estrangeiro. A sequência se estendeu por toda a semana, com cinco pregões ininterruptos de queda até a sexta-feira (30 de outubro).

Por que a queda é a maior desde a redemocratização

A queda desta semana é a maior registrada na primeira semana após uma eleição presidencial desde a redemocratização. O recorde anterior era de 1994, quando o Ibovespa recuou 8,24% com a eleição de Fernando Henrique Cardoso — menos da metade do tombo atual.

A perda da semana iguala, com duas casas decimais, a registrada na semana dos ataques de 11 de setembro de 2001. É também a quinta maior desvalorização semanal do Ibovespa desde o início do Plano Real, em julho de 1994.

Bancos e siderúrgicas lideraram as perdas. O BTG Pactual caiu 4,66%, seguido por Santander (2,84%), Itaú (2,15%) e Bradesco (2,12%). Entre as siderúrgicas, Usiminas recuou 8,59% e CSN, 8,49%, os papéis mais penalizados da semana.

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O nervosismo não ficou restrito à Bolsa brasileira. Nos Estados Unidos, o Dow Jones caiu 1,39%, o S&P 500 recuou 2,33% e o Nasdaq, mais exposto a empresas de tecnologia, perdeu 3,64% na mesma sessão de sexta-feira (30 de outubro).

Bitcoin caiu 2,5%, a US$ 76.888. O ether recuou mais de 4%.

O que acontece agora

Lula se reuniu com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, no Palácio da Alvorada, em Brasília, horas depois da primeira reação negativa do mercado, na segunda-feira (26 de outubro).

Durigan mantém diálogo com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para coordenar as próximas ações sobre a meta fiscal, tema que o ministro também tratou nesta semana, ao prometer lei para garantir o centro da meta fiscal.

O mercado também cobra clareza sobre a política fiscal do próximo governo e sobre a composição da equipe econômica, que segue incerta desde que Fernando Haddad deixou o Ministério da Fazenda para concorrer nas eleições, em março.

O cenário é o oposto do registrado na véspera do segundo turno. Entre os dois turnos da eleição, o Ibovespa chegou a subir 6,9% e o dólar caiu 4,4%, na expectativa de uma mudança de governo que não se confirmou.