A embaixada dos Estados Unidos em Brasília enviou ao Departamento de Estado, na segunda-feira (26 de outubro), um relatório que classifica a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como "surpreendente, mas definitiva". O texto contraria o presidente Donald Trump.
Trump chamou a eleição de "uma vergonha".
O relatório tem o título "Eleições no Brasil: Lula é eleito em resultado surpreendente, mas definitivo; Flávio Bolsonaro considera resultado impossível de aceitar". Segundo o documento, Lula venceu por uma margem de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
A votação, segundo o texto, transcorreu "de maneira majoritariamente pacífica".
A embaixada também avalia a ampliação do horário de votação em duas horas, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o relatório, 34 mil votos foram registrados depois das 17h, o equivalente a 0,03% do total.
"Observadores internacionais não manifestaram dúvidas sobre o resultado", diz o texto, segundo trecho citado por portais que tiveram acesso ao documento. O relatório também classifica as contestações do senador Flávio Bolsonaro (PL) como "carentes de fundamento técnico".
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Essa avaliação se soma à validação da OEA, que confirmou a lisura do pleito, apesar de criticar a decisão isolada de Zanin sobre o horário de votação.
O contraste com a fala pública de Trump
Trump, em público, classificou a eleição brasileira como uma "vergonha" e questionou a integridade do processo sem apresentar provas — mas a leitura técnica da própria diplomacia americana vai na direção oposta da retórica do presidente. Ele afirmou, ainda assim, pretender conversar com Lula.
O desencontro já havia aparecido dias antes. Em entrevista, Trump disse que a eleição brasileira pareceu fraudada, declaração rebatida na hora pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
Até a data do relatório, o governo americano não havia enviado "uma mensagem formal de congratulações" a Lula.
O episódio ocorre com Flávio Bolsonaro hospedado nos Estados Unidos. Ele viajou para Miami após a derrota e recebeu vistos para si e para a família, com ajuda atribuída a integrantes dos governos de Trump e do argentino Javier Milei.
A proximidade entre o senador derrotado e a Casa Branca, somada à avaliação técnica contrária da própria embaixada americana, expõe uma divisão dentro do governo dos Estados Unidos sobre como tratar o resultado brasileiro.
O que acontece agora
O próximo marco é a eleição de meio de mandato nos Estados Unidos, marcada para a terça-feira (3 de novembro). Até lá, Washington não sinalizou quando deve enviar uma mensagem formal reconhecendo a vitória de Lula.
A avaliação da embaixada, de qualquer forma, já circula internamente no Departamento de Estado como a posição oficial da diplomacia de carreira americana sobre o pleito brasileiro.































