Publicações no X e no Instagram afirmam que o governo Lula cortou quase R$ 6 bilhões da Saúde e da Educação após vencer Flávio Bolsonaro no 2º turno, no domingo (25 de outubro). A alegação é falsa, aponta checagem do g1.

As publicações circulam desde segunda-feira (26 de outubro), com a legenda sobreposta "Lula acaba de cortar quase R$ 6 bilhões da Saúde e Educação".

Por que a alegação é falsa

O vídeo compartilhado é real, não foi fabricado por inteligência artificial, mas não mostra nenhum anúncio feito depois do 2º turno.

Trata-se de um conteúdo jornalístico publicado pela CNN Brasil no YouTube em 31 de julho de 2024, com a fala sobre cortes começando no trecho 1h44min09s do vídeo original.

Para chegar a essa conclusão, o g1 selecionou um quadro do vídeo dos posts e fez busca reversa pelo Google Lens, o que levou à publicação original de 2024.

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O Ministério do Planejamento e Orçamento negou qualquer corte ao Fato ou Fake.

Não houve nenhum anúncio de corte após a reeleição nessas áreas. Essas informações não procedem.

O contexto que explica a viralização

Os posts falsos viralizaram em meio à pressão real sobre as contas públicas. Na quinta-feira (29 de outubro), o Banco Central informou que o setor público consolidado teve déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro.

A dívida pública manteve o mesmo patamar de agosto, em 82,9% do PIB, o maior índice desde os 85,1% registrados em março de 2021. É esse pano de fundo fiscal real que dá verossimilhança à mentira sobre o corte.

O vídeo de 2024 vira prova de um corte que nunca existiu justamente porque o Brasil já discute, com números reais, como vai pagar a conta da dívida.

Esse pano de fundo é o mesmo que pressiona o próprio governo. A dívida do Brasil já chega a R$ 11 trilhões, segundo levantamento publicado na quinta-feira (29 de outubro).

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Não é a primeira peça falsa a usar imagem fora de contexto neste ciclo eleitoral. Um vídeo que mostrava uma urna votando sozinha também era de outra eleição, de 2014.

Peças como essa não são um fato isolado da eleição de 2026. Os processos por desinformação eleitoral quase triplicaram neste ciclo, segundo levantamento publicado em 12 de outubro.

O que acontece agora

O g1 Fato ou Fake mantém o rótulo de conteúdo falso na publicação original. Até a checagem, nenhum perfil que espalhou a peça havia apagado o post ou publicado correção.