O petróleo Brent fechou na sexta-feira (30 de outubro) em US$ 117,64 o barril, alta de 2,4% e maior valor em seis meses. O movimento veio depois de um petroleiro ser atingido no Estreito de Ormuz e de houthis atacarem refinarias sauditas.

O contrato de dezembro do Brent chegou a bater US$ 118 durante o pregão. O contrato de janeiro fechou a US$ 113,43, com alta de US$ 2,63. Já o WTI, referência americana, encerrou o dia em US$ 104,12, avanço de 2,08%.

No mês, o Brent acumula alta de 13,6%, e o WTI, de 15,2%. Segundo o analista Dennis Kissler, da BOK Financial, os operadores seguem atentos aos fluxos de petróleo do Oriente Médio e à provável escalada por parte dos Estados Unidos e de seus aliados.

Os houthis afirmaram ter atingido a refinaria de Ras Tanura, a de Rabigh e uma unidade de produção em Abqaiq, três instalações sauditas de petróleo. O grupo já havia atacado o aeroporto de Riad neste mês.

Os Estados Unidos já retiraram pessoal não essencial da Arábia Saudita. O mercado também monitora as eleições de meio de mandato americanas, marcadas para 3 de novembro, e as negociações diplomáticas entre Washington e Teerã mediadas pelo Catar.

No Brasil, a cada barril mais caro cresce a pressão sobre o subsídio ao diesel mantido pelo governo, hoje em cerca de R$ 9 bilhões por mês somando diesel e gasolina.

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A alta é também o novo capítulo de uma escalada que já havia feito dois navios afundarem perto de Ormuz neste mês.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse ao jornal O Globo que o patamar surpreendeu a própria estatal.

Não era esperado um fim de outubro com o barril cotado a US$ 116.

O lado positivo do petróleo caro aparece nas contas externas do país. De janeiro a setembro, o superávit comercial brasileiro com petróleo e derivados somou US$ 31,22 bilhões, alta de 40% sobre o mesmo período de 2025.

Segundo o Ministério da Fazenda, o governo pode manter o apoio aos combustíveis enquanto o petróleo ficar acima de US$ 105 o barril, nível hoje superado em mais de US$ 12.

Um cálculo do banco Goldman Sachs mostra que, mesmo com o barril caro lá fora, o diesel vendido no Brasil segue 21% abaixo da paridade internacional.

Essa distância entre o preço interno e o externo é justamente o que o subsídio cobre, e ela cresce a cada dólar que o petróleo sobe lá fora.

O que acontece agora

O mercado aguarda o desfecho das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em 3 de novembro. Analistas apontam a data como o gatilho mais provável para uma escalada direta dos EUA contra o Irã.

Em paralelo, seguem as negociações diplomáticas mediadas pelo Catar, sem data definida para um novo encontro. A Petrobras ainda não informou se vai rever sua curva de preços internos em função do novo patamar do Brent.