O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai convidar Donald Trump e Javier Milei para sua posse em Brasília, marcada para 5 de janeiro de 2027. O convite vale para todos os chefes de Estado, mesmo sem reconhecimento da vitória no 2º turno.
Trump chegou a lançar dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral brasileiro sem apresentar provas. Milei fez ataques diretos a Lula ao longo da campanha.
Milei é, até agora, o único líder sul-americano que não parabenizou Lula pela reeleição.
Do lado americano, os Estados Unidos também seguem sem parabenizar o petista, cinco dias depois da vitória no 2º turno.
A data da cerimônia mudou de 1º para 5 de janeiro de 2027 por decisão do Congresso Nacional, para aumentar a chance de presença de chefes de Estado estrangeiros.
Em 2023, a posse anterior de Lula reuniu 21 chefes de Estado. A de Bolsonaro, em 2018, teve apenas dez.
Trump nem foi à posse de 2018: mandou o vice-secretário de Estado, Mike Pompeo.
O que pode acontecer antes da posse
Lula pode encontrar Trump e Milei já em dezembro, antes da posse. Os dois presidentes são esperados em dois compromissos internacionais, a Cúpula do Mercosul e uma reunião do G20, onde o governo brasileiro quer reforçar pessoalmente a disposição de manter o diálogo aberto.
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O governo brasileiro acredita que a relação com Trump pode melhorar depois das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, na expectativa de um presidente mais pragmático.
Com Milei, a leitura é oposta: o Planalto não vê sinal de avanço enquanto o argentino estiver em campanha para a disputa de 2027 na Argentina.
Lula também pretende retomar, ainda este ano, as negociações sobre as tarifas que os Estados Unidos impuseram a produtos brasileiros, tema que deve entrar em qualquer conversa com Trump nos próximos meses.
Por que a fuga de Flávio pesa na relação
A fuga do senador Flávio Bolsonaro complica o diálogo com Washington e Buenos Aires. Ele deixou o Brasil rumo a Miami após perder a eleição, e o Itamaraty convocou a diplomata argentina para explicar uma possível participação de Milei no caso.
Segundo apuração do Metrópoles, Flávio teria recebido ajuda de assessores de Trump no trajeto da fuga até os Estados Unidos. Ainda assim, o governo brasileiro optou por não reagir oficialmente, para não escalar a crise com os dois países.
É nesse cenário delicado que o convite para a posse ganha peso político. Ao estender o chamado a Trump e Milei mesmo sem reconhecimento da vitória, o Planalto sinaliza que quer manter a porta aberta à normalização das relações.
O que acontece agora
Os convites formais para a cerimônia de 5 de janeiro ainda serão enviados a todos os chefes de Estado parceiros do Brasil.
Antes disso, o TSE marcou a diplomação de Lula e Alckmin para 12 de dezembro, data que antecede os encontros multilaterais do fim do ano.
É nos bastidores desses encontros que o governo brasileiro aposta para medir se Trump e Milei estão dispostos a restabelecer o diálogo direto com Lula.































