A cadeira do STF aberta com a aposentadoria de Barroso, em outubro de 2025, segue vazia um ano depois. Reeleito, Lula (PT) pode enviar ao Senado o nome de Rodrigo Pacheco (PSB) para ocupá-la. Mulheres cobram, em vez disso, a primeira ministra negra da Corte.
No discurso de vitória, no domingo (25), Lula prometeu mais respeito às mulheres nas políticas públicas do novo governo.
A vaga foi aberta quando Barroso antecipou a aposentadoria. O Senado rejeitou, em abril, a indicação anterior de Lula, o então advogado-geral da União Jorge Messias, por 34 votos a 42.
Pacheco, hoje ministro do Tribunal de Contas da União, é apoiado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), e tem trânsito em várias legendas.
Foi aprovado para o TCU por 404 votos na Câmara, 63 no Senado.
Bolsonaristas criticam Pacheco por não ter colocado em pauta pedidos de impeachment contra ministros do STF enquanto presidia o Senado.
Publicidade
Por que a pressão é por uma ministra negra
O STF nunca teve uma ministra negra. Mulheres cobram essa indicação desde o início do atual mandato de Lula, e a pressão cresceu depois da reeleição, em publicações nas redes sociais com milhares de curtidas.
"A gente EXIGE uma ministra, de preferência negra, para o STF", diz uma publicação no Instagram com mais de 12 mil curtidas, feita quatro dias após a eleição. O Instituto Juristas Negras sugeriu o nome da promotora do Ministério Público da Bahia Lívia Sant'Anna Vaz.
Levantamento de opinião feito em maio mostrou que 51% dos brasileiros veem como muito importante escolher uma mulher para o STF, e 46% dizem o mesmo sobre indicar uma pessoa negra. A cadeira de Barroso está vazia há um ano.
O interesse público por nomes do Supremo cresceu nas últimas décadas, diz o consultor legislativo do Senado Rafael Silveira.
"Há 40 anos atrás, quando estávamos aí prestes a termos a nossa Constituição, qual de nós sabia algum nome de um ministro do Supremo? Pouquíssimas pessoas", afirmou.
O que acontece agora
A expectativa é que Lula envie o nome ao Senado nos próximos dias, com sabatina e votação secreta previstas para terminar até o fim de novembro. A pressa existe porque, a partir de fevereiro, o PL passa a ter 28 das 81 cadeiras do Senado.
Pacheco já havia sido cotado para o STF antes, mas perdeu espaço e foi indicado ao TCU em setembro.
Depois da derrota de Messias, Lula evitou confirmar uma nova indicação ao STF.































