As pesquisas Datafolha e Quaest davam Flávio Bolsonaro à frente de Lula por 51% a 49% dos votos válidos na véspera do 2º turno. O resultado oficial, divulgado pelo TSE no dia seguinte, foi o inverso: Lula venceu com 51,79%, contra 48,21% de Flávio.
As pesquisas davam a Flávio uma vantagem de dois pontos, dentro da margem de erro declarada na última rodada antes da votação. O resultado real inverteu o sinal, com diferença de 4,4 milhões de votos entre os dois candidatos.
Segundo o instituto Futura, que avaliou o desempenho dos levantamentos após a apuração, o erro das pesquisas ficou, em média, 3,58 pontos percentuais acima da margem declarada. Quem acompanhou os números até a véspera da votação esperava um resultado oposto ao que saiu da urna.
Por que as pesquisas erraram?
As pesquisas erraram porque não captaram a mobilização dos eleitores de menor propensão a votar, segundo cientistas políticos. Em entrevista ao portal Terra, a cientista política Tathiana Chicarino, da FESPSP, afirma que "é mais difícil captar um não-voto" numa eleição de voto obrigatório.
A abstenção caiu de 21,8% no 1º turno para 19,22% no 2º, mais eleitores nas urnas do que as amostras previam. É esse contingente adicional, mobilizado na reta final da campanha, que uma pesquisa feita dias antes da votação não tem como antecipar.
Alguma pesquisa chegou perto do resultado?
A pesquisa mais próxima do resultado final foi a da Futura, que apontou Flávio com 50,1% dos votos válidos e Lula com 49,9% na véspera, diferença de apenas 0,2 ponto entre os candidatos.
O erro da Futura ficou em 1,9 ponto percentual por candidato, dentro da margem de 2,2 pontos que o instituto declarou.
As pesquisas não são as urnas. Elas indicam a intenção de voto naquele dia, naquele momento, com todas as informações que o eleitor tem quando está sendo entrevistado.
A avaliação é de Paula Orrico, diretora técnica da Futura, em entrevista ao Seu Dinheiro.
A Datafolha ouviu 4.050 eleitores entre 23 e 24 de outubro, contratada pelo Grupo Globo e pela Folha de S.Paulo, com margem de erro de dois pontos, 95% de confiança e registro BR-09540/2026 no TSE.
A Quaest ouviu 3.702 pessoas no mesmo período, contratada por Globo e O Globo, com a mesma margem de erro, 95% de confiança e registro BR-09158/2026 no TSE.
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Isso já aconteceu em outras eleições?
Em 2022, as pesquisas acertaram a direção do resultado. Datafolha e Quaest previram Lula à frente de Jair Bolsonaro no 2º turno dentro da margem de erro, e o petista venceu por cerca de 1,8 ponto percentual, em linha com o que as pesquisas indicavam.
O histórico brasileiro mostra que pesquisas eleitorais já divergiram do resultado final em eleições passadas, mas raramente invertem o favorito dentro de uma margem de erro declarada de apenas dois pontos, como ocorreu agora.
A diferença entre pesquisa e resultado não se confunde com as alegações de fraude de Flávio Bolsonaro desde a derrota: uma checagem publicada após o 2º turno já desmentiu a teoria de que a conta de votos não fechava.































