A dívida bruta do governo brasileiro chegou a R$ 11,1 trilhões em agosto, equivalente a 82,9% do PIB, segundo o Banco Central. No mesmo período, a dívida federal dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões. Os dois países enfrentam cenários diferentes para financiar suas dívidas.
Governos recorrem à dívida sempre que gastam mais do que arrecadam: emitem títulos públicos e tomam dinheiro emprestado de bancos, fundos, outros países e até de pessoas físicas.
A dívida brasileira segue em alta mesmo em meses em que o governo pagou mais do que tomou emprestado, o resgate líquido. Ela já havia passado de R$ 9,29 trilhões, com a parcela ligada à Selic em recorde, meses antes.
Em valores absolutos, a dívida americana é quase quatro vezes a brasileira. O tamanho isolado diz pouco.
Pelo critério do FMI, a dívida bruta do Brasil equivale a 94,5% do PIB em agosto, segundo o Banco Central. A dos Estados Unidos é projetada pelo FMI em 125,8% do PIB ao fim de 2026.
Por que a dívida brasileira pesa mais, mesmo sendo proporcionalmente menor?
A dívida brasileira pesa mais porque custa mais caro financiá-la. Os EUA têm a moeda de reserva global e o maior mercado de capitais do planeta, o que garante demanda pelos títulos americanos a juro baixo, vantagem que o Brasil não tem.
No Brasil, a taxa de juros implícita da dívida pública chegou a 13,2% ao ano nos últimos 12 meses.
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O país é apontado como o que mais paga juros sobre a própria dívida no mundo, segundo a CNN Brasil. O peso dos juros no orçamento chega a 8,8% do PIB, diz o MoneyTimes, quase o triplo do que os EUA gastam.
A política fiscal brasileira é comandada pelo Ministério da Fazenda, de Fernando Haddad.
Cada real a mais pago em juros é um real a menos disponível para investimento público ou para abater o próprio déficit. Mais do que o tamanho da dívida, é o custo de financiá-la que pesa sobre o orçamento público.
A taxa Selic, um dos fatores por trás desse custo, está hoje no mesmo patamar de quando Lula tomou posse, em 2023.
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), que desconta as reservas internacionais do total, estava em 69,3% do PIB em agosto, equivalente a R$ 9,2 trilhões. O indicador subiu 0,1 ponto percentual na comparação com julho.
Mas o juro alto segue sendo um dos itens que mais consome o orçamento público, mês após mês.































