O senador Flávio Bolsonaro (PL) desembarcou na Flórida, nos Estados Unidos, na noite de terça-feira (27), segundo o jornal britânico Financial Times. Ele deixou o Brasil horas depois de o STF cancelar seus passaportes brasileiro e italiano, por ordem do ministro Alexandre de Moraes.
Ao chegar, o senador se encontrou com o irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro, que vive em exílio autoimposto nos EUA desde agosto. Segundo o Financial Times, a mulher e as duas filhas de Flávio também deixaram o país.
A Polícia Federal cancelou os dois passaportes ao meio-dia de terça-feira, depois de o senador não entregar os documentos até as 11h, prazo fixado pelo STF.
Segundo a CNN Brasil, Moraes também proibiu contato de Flávio com o advogado Willer Tomaz e determinou alerta migratório no sistema Sonar da PF. Um dia antes de embarcar, ele negou, em vídeo, que pretendesse deixar o Brasil.
O inquérito por trás do cancelamento
O inquérito que motivou o cancelamento apura suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A Polícia Federal pediu a retenção dos passaportes por suspeitar que Flávio seria o "usuário master" de uma conta bancária em Portugal ligada ao advogado Willer Tomaz.
Tomaz é amigo de Flávio e teve R$ 6 bilhões em bens bloqueados pelo STF na semana passada.
A decisão foi tomada por Moraes no domingo (25), sete minutos depois de o TSE proclamar oficialmente a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceu o 2º turno por 51,8% a 48,2%.
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O pedido da PF também citou fala pública de Eduardo Bolsonaro, que defendia a saída do irmão em caso de derrota eleitoral. A reportagem da TV Sim Brasil explica por que Eduardo defendeu a ida de Flávio para fora do país.
Antes de confirmar o destino nos Estados Unidos, o paradeiro de Flávio ficou incerto por horas. Aliados disseram não conseguir contato com ele, e a Argentina chegou a negar a entrada do senador em seu território.
O governo Trump, que ainda não reconheceu a vitória de Lula, confirmou nesta quarta a concessão de vistos a Flávio e à família, antecipada um dia antes pelo Departamento de Estado americano.
"Eu não tomei partido, mas, francamente, pareceu mais uma eleição fraudada (...) pareceu tão corrupta, tão terrível"
A frase é do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dita a jornalistas em Washington nesta segunda (26), sem provas da fraude alegada. Horas depois, o PL, partido de Flávio, reconheceu a vitória de Lula, em nota assinada pelo presidente da legenda, Valdemar Costa Neto.
"Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo TSE, mas entendemos que as questões levantadas precisam ser devidamente esclarecidas dentro de um debate político equilibrado e democrático", afirmou Costa Neto.
Após o resultado, Flávio também criticou a decisão do STF de prorrogar por duas horas a votação de domingo, ainda que o próprio PL tivesse pedido prorrogação em seções afetadas por chuva.
O pedido do PT, partido de Lula, foi motivado por falhas no transporte público em Salvador (BA) e em São Paulo (SP).
O que acontece agora
Aliados de Flávio esperam que ele faça uma coletiva de imprensa em Washington para explicar as razões da saída do país, sem data confirmada até o fechamento desta matéria.
No Brasil, a Polícia Federal já notificou o gabinete de Moraes sobre o descumprimento da ordem de entrega dos passaportes, o que pode subsidiar novas medidas da investigação.































