A queda da abstenção nas cidades de maior renda ajudou a explicar a virada de Lula sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno, segundo levantamento do Valor Data a partir do Censo 2022. Nesses municípios, a abstenção caiu 11,6% em relação ao 1º turno.

São os 200 municípios com renda média acima de R$ 3.379 por pessoa, concentrados na região Sul, mas que incluem cidades grandes como Brasília, São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba.

É um microcosmo bolsonarista: Flávio venceu em 185 dos 200 municípios. Mesmo assim, a votação de Lula cresceu ali, de 45% em 2022 para 47% em 2026.

Já nos 200 municípios mais pobres, com renda média abaixo de R$ 1.102, a queda de ausentes foi de apenas 2,5%. Lula venceu em todos eles, mas sua votação recuou de 81% para 78% na comparação com 2022.

Média, porém, é um conceito enganoso.

A queda de abstenção foi mais forte nas áreas pobres dentro das cidades ricas. No Barreiro, em Belo Horizonte, o recuo foi de 16,5%; no bairro nobre de Lourdes, de apenas 10%.

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Em São Mateus, na zona leste de São Paulo, a queda foi de 15%; no Jardim Paulista, de 11%. O exemplo mais extremo é Nova Lima, cidade vizinha de Belo Horizonte e a de maior renda do Brasil, com R$ 6.929 por pessoa.

Lula venceu lá no 2º turno, de virada. Mas a cidade, que tem clube de golfe e condomínios de alto padrão, também tem 23% dos moradores inscritos no CadÚnico.

Segundo o Valor Data, a virada foi construída menos por eleitores que mudaram de voto e mais pela queda da abstenção, sobretudo nas cidades de maior renda.