Grupos de mulheres negras pressionam o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que indique a primeira ministra negra do Supremo Tribunal Federal (STF). A cobrança ganhou força dias após a vitória de Lula no 2º turno, no domingo (25).
A mobilização corre nas redes sociais e tem como um dos pontos de apoio o deputado federal André Janones (Rede-MG), à frente do Exército de Lula durante a campanha.
Nos discursos de vitória, Lula agradeceu o apoio das eleitoras e prometeu atenção às pautas femininas. "As mulheres serão tratadas com muito mais respeito pelas políticas públicas brasileiras", disse o presidente reeleito, segundo a Folha de S.Paulo.
Ele afirmou ainda que vai se reunir com mulheres, empresários e cientistas para discutir o rumo do novo governo.
Uma publicação com mais de 12 mil curtidas no Instagram, feita na terça-feira (27), resume a cobrança: "A gente EXIGE uma ministra, de preferência negra, para o STF", escreveu uma usuária. Nos comentários, mulheres pediram apoio a Janones para pressionar o Planalto.
"Eu falei que ia cobrar e vou! Cobrem vocês também! Já deixamos bem claro e documentado que o poder é nosso", escreveu outra usuária nas redes sociais, segundo o levantamento da Folha.
Os números são de pesquisa de opinião contratada pela Folha de S.Paulo ao instituto Datafolha — não é pesquisa eleitoral de intenção de voto, que tem regras próprias de registro no TSE.
O instituto coletou os dados em 12 e 13 de maio de 2026, com 2.004 entrevistados em 139 municípios e margem de erro de dois pontos percentuais.
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O levantamento também mostrou divisão por preferência eleitoral. Entre eleitores de Lula, 64% consideravam muito importante uma mulher no STF e 60% defendiam um nome negro; entre apoiadores de Flávio Bolsonaro, os percentuais caíam para 41% e 35%.
O nome mais citado pelo movimento é o da promotora de Justiça Lívia Sant'Anna Vaz, do Ministério Público da Bahia. Se indicada e aprovada, Vaz seria a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira no STF em toda a história da corte.
Ela atua desde 2015 na Promotoria de Justiça de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, tem mestrado em Direito Público pela UFBA e doutorado pela Universidade de Lisboa.
O Instituto Mulheres Negras Decidem e o Instituto Juristas Negras já levaram o nome de Vaz a uma reunião com o deputado federal Guilherme Boulos, na tentativa de ampliar o apoio político à indicação dentro da base governista.
A articulação não é inédita. O movimento "Mulher Negra no STF" ganhou força em 2023, após a saída do ministro Ricardo Lewandowski da corte, mas nenhuma das indicações feitas por Lula até agora contemplou esse perfil.
Hoje, Cármen Lúcia é a única mulher entre os dez ministros em exercício no STF.
O que acontece agora
A cadeira aberta com a aposentadoria de Barroso, em outubro de 2025, segue vazia. É a vaga mais próxima, em torno da qual a pressão por uma mulher negra aparece como contraponto ao nome de Rodrigo Pacheco (PSB), ministro do TCU.
Lula ainda não anunciou a indicação, que depois precisa passar por sabatina e votação no Senado. Em abril, os senadores já rejeitaram outro nome indicado pelo presidente para a mesma vaga, o então advogado-geral da União Jorge Messias, por 34 votos a 42.
O cálculo político também passa pela nova composição do Congresso. A partir de 2027, a Câmara terá maioria de direita, com o PL do senador eleito Flávio Bolsonaro como maior bancada, o que deve dificultar a aprovação de indicações mais à esquerda.
O presidente eleito deve ter, ao todo, até quatro vagas no STF para preencher até 2030. Enquanto isso, o movimento segue coletando apoio nas redes e pressionando parlamentares aliados a formalizar o pedido junto ao Planalto.































