Uma análise da consultoria Arko Advice, assinada pelo cientista político Murillo de Aragão, aponta a 'urgência de uma pacificação' entre o governo Lula 3 e o mercado financeiro. O texto foi publicado nesta quarta-feira (28), dias após a reeleição do presidente.
Lula venceu a eleição 'de forma épica', diz a análise, contrariando boa parte das expectativas em uma vitória construída na adversidade.
Mas o clima mudou rápido. No dia seguinte à apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, 'o mercado amanheceu de ressaca', diz o texto.
Flávio deixou o país temendo ser preso. Dos Estados Unidos, o presidente americano Donald Trump sinalizou que pode não reconhecer o resultado da eleição brasileira.
Para a Arko Advice, o repique no câmbio sinaliza aumento de preços, o que aponta para a manutenção dos juros em patamar elevado. Juros altos por mais tempo significam crédito mais caro, investimento adiado e crescimento comprometido, diz a análise.
A pergunta que a análise faz é direta: pacificar ou bater de frente?
'Em 2003, diante de um mercado assustado, o presidente agiu com rapidez e pragmatismo para retirar a desconfiança da pauta', lembra a análise. Lula escolheu uma equipe econômica com credibilidade e reafirmou compromissos fiscais, movimentos decisivos para o sucesso dos dois primeiros mandatos.
A análise diz que o governo Lula 3 segue uma trajetória diferente dos mandatos anteriores. O presidente teria acumulado ressentimentos com setores empresariais e de mídia que podem levar a confrontos prejudiciais, segundo o texto.
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A Arko Advice elenca três frentes de ação: pacificação econômica, liderança institucional de Lula junto aos outros Poderes e, no campo fiscal, clareza sobre a meta de resultado das contas públicas.
Sobre confronto com quem forma preços e financia a dívida pública, a análise é direta: isso 'raramente termina bem para governos'. O texto defende que nenhum dos Poderes é inocente, e que todos precisam evitar apenas 'extrair vantagens' das crises.
Desperdiçar esta oportunidade, conclui a análise, seria 'mais um erro em uma sequência que o Brasil já não pode se dar ao luxo de prolongar'.































