O Ministério das Relações Exteriores da China disse nesta sexta-feira (9) que quer manter relações "estáveis e duradouras" com o Brasil. A resposta veio após o Datafolha mostrar Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula, no 2º turno.

A pesquisa foi contratada pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo de Comunicação, com 2.520 entrevistas feitas entre 6 e 7 de outubro, margem de erro de dois pontos percentuais e registro no TSE sob o número BR-0949/2026.

A pergunta partiu da Folha, que questionou a chancelaria se, diante do alinhamento de Flávio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a parceria seria tratada como compromisso de Estado (que resiste à troca de governo) ou de governo (que pode mudar).

A resposta chinesa não resolveu essa dicotomia diretamente, mas reforçou a ideia de continuidade. "As relações entre China e Brasil sempre mantiveram uma boa dinâmica de desenvolvimento", diz a nota, que fala ainda em "amplo consenso" entre os setores dos dois países.

O histórico de atritos com o governo Bolsonaro

O histórico recente teve atrito real entre os dois países. Durante a gestão de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, o status formal da parceria não mudou, mas a relação ficou tensionada por falas do então presidente e de aliados próximos a ele.

O episódio mais citado envolveu o embaixador chinês Yang Wanming. Jair Bolsonaro pediu a troca dele depois de o diplomata criticar, nas redes, o então deputado Eduardo Bolsonaro, que responsabilizava o Partido Comunista Chinês pelo início da pandemia. A China ignorou o pedido.

Publicidade

Questionado sobre sua postura diante da China, Flávio tem dado sinais de pragmatismo. Em evento na quinta-feira (8), disse que, se eleito, o Brasil terá relação "com países de todos os espectros".

O peso econômico ajuda a entender a cautela dos dois lados. O comércio entre Brasil e China superou US$ 170 bilhões em 2025, mais que o dobro do negociado com os Estados Unidos no mesmo período, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China.

Nem Pequim nem a campanha de Flávio tratou a disputa presidencial como risco explícito para essa parceria. Em paralelo, o governo Lula busca novos parceiros comerciais para reduzir a exposição ao tarifaço dos Estados Unidos.

O que acontece agora

O 2º turno está marcado para 25 de outubro, e a liderança de Flávio no Datafolha desta semana é a primeira vez que um adversário aparece à frente de Lula na reta final da disputa presidencial.

A disputa já é acompanhada fora do Brasil. A imprensa internacional trata o resultado como um teste para a direita na região, e chancelarias de outros países devem seguir fazendo perguntas como a que a China respondeu nesta sexta.