A Polícia Federal enviou ao STF novos relatórios que apontam "atuação direta" do ex-governador do DF Ibaneis Rocha (MDB) na estratégia financeira do BRB que viabilizou a tentativa de compra do Banco Master, de Daniel Vorcaro, entre 2024 e 2025.

Segundo a PF, Ibaneis não se limitou ao exercício regular de suas funções e atuou em quatro frentes: autorizou os montantes do aumento de capital, definiu a estratégia de expansão do BRB, validou decisões operacionais críticas e articulou com agentes privados.

As comunicações demonstram que decisões estratégicas relevantes eram submetidas previamente à sua apreciação, antes mesmo de deliberação pelos órgãos formais de governança, evidenciando centralização decisória e interferência política direta na condução da instituição financeira pública.

Para os investigadores, a atuação é "indicativa de captura institucional", já que a estrutura de decisão do banco teria sido alinhada a interesses específicos, em detrimento da impessoalidade e do interesse público.

A movimentação remonta a outubro de 2024, quando o BRB foi ao mercado em busca de até R$ 1 bilhão para reforçar o capital.

O relatório situa o início das tratativas diretas em janeiro de 2025: no dia 20, Paulo Henrique Costa disse a Vorcaro que "o governador pediu para marcarmos uma reunião". Três dias depois, os dois se encontraram com Ibaneis em Zurique.

Ibaneis nega irregularidades. Em entrevistas recentes, afirmou: "Nunca tratei de dinheiro com o Vorcaro, nunca recebi um real dele." Sobre o encontro na Suíça, disse que "a única coisa que ele me pagou foram duas garrafas de vinho em um jantar".

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O tamanho do rombo do Banco Master

A tentativa de compra do Master pelo BRB envolvia R$ 17,5 bilhões e já é tratada pela PF como fraude. Investigadores apontam que Vorcaro pagou R$ 146,5 milhões em propina a Paulo Henrique Costa para viabilizar o negócio.

Vorcaro e Paulo Henrique Costa seguem presos. Em setembro, o ministro Edson Fachin deu prazo à PGR para avaliar um pedido de soltura de Vorcaro no caso Master.

O que acontece agora

Ibaneis não ocupa cargo público desde que renunciou ao governo do DF, em março, para disputar o Senado, candidatura que não teve sucesso no 1º turno de outubro. Ele segue sob investigação da PF, que agora leva os novos relatórios ao STF.

O ponto em aberto

O relatório da PF ainda não tem data para ser analisado pelo STF, e Ibaneis nega qualquer irregularidade.

O que fica em aberto é até que ponto a gestão de um banco público pode ser orientada por decisões tomadas fora dos órgãos formais de governança, como descreve a própria PF.