O chanceler do Uruguai, Mario Lubetkin, disse à Folha de S.Paulo que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, é "tão ilegítima quanto" o ex-presidente Nicolás Maduro, capturado pelos Estados Unidos em janeiro, e que não retomará relações com Caracas enquanto ela governar.
Em 3 de janeiro, forças dos Estados Unidos atacaram a Venezuela e capturaram Maduro sob acusação de narcoterrorismo; ele foi levado a Nova York e indiciado por tráfico de drogas.
Dois dias depois, Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina por decisão do Tribunal Supremo de Justiça venezuelano, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo no país. Os Estados Unidos reconhecem o governo dela, mas parte da comunidade internacional nega legitimidade à posse.
"Não há chance alguma de retomar as relações bilaterais com a Venezuela enquanto Delcy Rodríguez estiver no poder, porque é tão ilegítima quanto Maduro", disse Lubetkin.
A entrevista foi dada às margens da Assembleia Geral da ONU, em setembro. Lubetkin integra o governo do presidente Yamandú Orsi, herdeiro político de Pepe Mujica. O chanceler fala com dois cargos regionais na mão.
O Uruguai preside o Mercosul e lidera a Celac.
Uruguai e Brasil ficaram fora do Escudo das Américas
Assim como o Brasil, o Uruguai não foi convidado a integrar o Escudo das Américas, a aliança de segurança lançada por Donald Trump em março para combater o crime organizado na região. Sete dos onze países sul-americanos aderiram ao bloco.
Em setembro, os países-membros classificaram 24 organizações como ameaças compartilhadas, incluindo o PCC e o Comando Vermelho ao lado de cartéis mexicanos e colombianos.
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A classificação elevou a tensão regional sobre o crime organizado. O governo Lula vê na aliança um "cerco" à soberania brasileira.
Nem todos os vizinhos relutam do mesmo jeito. O Paraguai, por sua vez, já pediu a volta da Venezuela ao Mercosul com aval de Brasília.
O que Lubetkin disse sobre a eleição no Brasil
Questionado sobre o 2º turno brasileiro, Lubetkin disse que a possibilidade de interferência externa "é real" e que o país precisa estar atento, na disputa entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro marcada para 25 de outubro.
Sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), que defende tirar o Brasil do Mercosul, o chanceler previu que ele "perceberia que muitas declarações de campanha são impraticáveis no governo". Flávio teve 47,03% dos votos válidos no 1º turno, ante 45,16% de Lula.
Lubetkin disse ainda manter "relação excelente com todos os governos da América Latina". Ele presidiu quatro reuniões da Celac só durante a semana da Assembleia Geral da ONU, incluindo encontros inéditos com a União Africana e a União Europeia.





























