A vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT) nas pesquisas do 2º turno antecipou uma disputa interna pela indicação ao Ministério da Fazenda. De um lado, o economista Roberto Campos Neto; do outro, Marcelo Kayath, indicado por Eduardo Bolsonaro.

Pesquisas divulgadas em setembro mostravam Flávio ampliando a vantagem sobre Lula no 2º turno.

O chamado "efeito Tarcísio" colocou o nome de Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, em cena. Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito governador de São Paulo com 62,65% dos votos no 1º turno.

Desde a reeleição, o governador passou a atuar diretamente pela campanha de Flávio, depois de articular apoio de partidos como União, PP e Novo ao senador no 2º turno.

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Campos Neto e Tarcísio construíram amizade em Brasília, no governo Jair Bolsonaro. Hoje o economista é vice-chairman e chefe de Políticas Públicas do Nubank. No mercado financeiro, seu nome já circula para a pasta.

Procurados pela Folha, Tarcísio e Campos Neto não comentaram o assunto. A interlocutores, o governador tem dito que vai contribuir no que for consultado, mas que não pretende apresentar nomes, porque o foco agora é vencer a eleição.

Do outro lado, Eduardo Bolsonaro aposta em Kayath

Do outro lado da disputa está o apoio de Eduardo Bolsonaro, filho mais novo do ex-presidente, a Marcelo Kayath, sócio da gestora QMS Capital que ocupou cargos de liderança no Credit Suisse.

Eduardo também apoiou Flávio desde o início. Ele ajudou a atrair aliados como o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, que declarou apoio ao senador no 2º turno depois de rivalizar com ele no 1º turno.

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O fundo da disputa: o corte de R$ 200 bilhões

No centro da disputa está a proposta de corte de R$ 200 bilhões em despesas, cerca de 1,5% do PIB. A ideia, sinalizada pela campanha de Flávio, é inspirada no modelo econômico do presidente argentino Javier Milei.

"É uma ilusão barata e vazia, que o mercado está comprando", disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan, à CNN Brasil sobre o plano de Flávio.

Durigan argumenta que o corte ignora o impacto sobre empregos e investimentos públicos. A disputa pela Fazenda expõe a distância entre o discurso de campanha e a viabilidade política de um ajuste desse tamanho.

O que acontece agora

O 2º turno entre Lula e Flávio está marcado para 25 de outubro. Até lá, a escolha do nome para a Fazenda deve seguir como ponto de pressão entre os dois grupos. Nenhum dos lados indicou publicamente quem assumiria o cargo.