Lula abre nesta terça-feira (22) a Assembleia Geral da ONU com um discurso preparado para defender a soberania brasileira e criticar risco de interferência externa na eleição. Segundo CNN e UOL/Reuters, Donald Trump fala na sequência da abertura, em Nova York.
O Planalto tenta transformar a crise bilateral em mensagem multilateral. A CNN informou que o Itamaraty prevê defesa da soberania nacional e que Lula deve pedir que os Estados Unidos não interfiram nas eleições, sem citar Trump nominalmente.
A ordem dos discursos dá peso ao recado porque coloca Lula e Trump na mesma vitrine diplomática. O Brasil tradicionalmente é o primeiro país a falar na abertura do debate geral da ONU, e a fala brasileira será seguida pela do presidente americano.
O tema saiu da diplomacia comercial e entrou no calendário eleitoral. À CNN, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que as tarifas dos EUA contra o Brasil representam interferência eleitoral.
Ele afirmou que a lógica de Trump não justificaria punir um país que compra mais dos EUA do que vende em vários segmentos.
O que Lula deve defender?
Lula deve defender soberania, multilateralismo e reação a ingerência externa, segundo CNN e UOL/Reuters. A CNN informou que o texto ainda poderia citar acordos com os Estados Unidos no combate ao crime organizado, enquanto a Folha registrou críticas de Lula a ataques à soberania.
O presidente brasileiro também chega à ONU depois de meses de tensão com Washington. A TV Sim mostrou que Sanders disse a Lula que progressistas deveriam apoiar o Brasil, em outro capítulo da aproximação internacional em torno do embate com Trump.
Segundo a CNN, em julho os Estados Unidos oficializaram uma sobretaxa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. O mesmo relato informou que medidas tarifárias alcançaram 23% das exportações brasileiras, conforme dados atribuídos ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Por que a ONU virou palco dessa disputa?
A ONU virou palco dessa disputa porque o Brasil quer enquadrar tarifas, eleição e soberania como temas internacionais, não apenas comerciais. O discurso permite que Lula fale para outros governos enquanto evita um confronto direto com Trump no texto, segundo a linha antecipada pelas fontes.
Esse movimento conversa com a cobertura recente da TV Sim sobre a política americana. A criação da Trump TV na Casa Branca mostrou como comunicação, governo e campanha se misturam na disputa de narrativa nos Estados Unidos.
A tensão também afeta o ambiente eleitoral brasileiro. A TV Sim registrou que ameaças e decisões judiciais travam a imprensa regional nas eleições, sinal de que o debate sobre liberdade política não está restrito à relação com Washington.
O que acontece agora
O que acontece agora é o discurso no plenário da ONU e a reação de Washington. Lula chegou a Nova York no domingo (20), e UOL/Reuters informou que a volta ao Brasil está prevista para esta terça, depois da abertura da Assembleia Geral.
Depois das falas, a disputa volta para a mesa comercial. Durigan disse à CNN que espera uma solução para as tarifas depois da eleição, quando a discussão, na avaliação dele, deve voltar ao eixo econômico da relação bilateral.


































