O governo dos Estados Unidos cobrou da China, na sexta-feira (6 de novembro), que cumpra "integralmente e de forma imediata" o acordo comercial fechado em 2025. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, cobrou o vice-primeiro-ministro chinês por atrasos nos envios de terras raras.
A trégua comercial entre as duas potências, selada na Coreia do Sul em outubro de 2025, vale até 10 de janeiro de 2027. As conversas ocorrem a menos de duas semanas da cúpula da Apec na China, que deve reunir Trump e Xi Jinping.
Bessent "expressou suas preocupações sobre as medidas recentes adotadas pela China", informa a nota do Tesouro americano, sem detalhar quais são elas. O secretário espera "resultados concretos", segundo o texto. Greer participou das conversas ao lado de Bessent.
O que motiva a cobrança dos EUA
A principal queixa americana é o ritmo dos envios chineses de ímãs de terras raras, segundo especialistas ouvidos pela agência de notícias France-Presse. O material é essencial para a indústria automobilística, a fabricação de smartphones e equipamentos de defesa.
Bessent e Greer já haviam manifestado frustração com Pequim por descumprir o acordo.
O efeito no Brasil
O impasse entre as duas potências é observado de perto pelo agronegócio brasileiro. Em 2025, a China comprou US$ 55,3 bilhões em produtos do agro do Brasil, 32,7% das exportações do setor, com a soja batendo recorde de 108,2 milhões de toneladas.
A vantagem brasileira pode ser temporária. O acordo prevê que a China compre ao menos 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos entre 2026 e 2028, o que pode reduzir a fatia que hoje vai para o Brasil.
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As exportações de soja do Brasil à China dependem diretamente do entendimento entre Xi Jinping e Donald Trump, mostrou reportagem publicada em setembro. Pequim mantém hoje uma tarifa retaliatória de 10% sobre a soja americana.
Em outubro, as vendas de soja dos Estados Unidos à China já haviam subido 80% no ano, pressionando o produtor brasileiro. Até 10 de setembro, a China já havia comprado cerca de 10 milhões de toneladas de soja americana na safra 2025/26.
Nos minerais críticos, o Brasil também entrou no radar americano. Uma agência do governo americano já financiou em US$ 565 milhões a mineradora que extrai terras raras em Minaçu, Goiás.
O que acontece agora
Bessent e He Lifeng já haviam se reunido em setembro, no mesmo tipo de preparação que agora antecede a cúpula da Apec e um possível encontro entre Trump e Xi Jinping. É o segundo contato direto entre os dois em menos de dois meses.
A trégua comercial vence em 10 de janeiro de 2027, data que deve testar se os dois países cumprem o que prometeram.






























