O governo do presidente Lula (PT) avalia que a derrota republicana nas eleições de meio de mandato nos EUA, na terça-feira (3 de novembro), abre uma janela para normalizar a relação com os EUA, com os democratas na maioria da Câmara e do Senado.
A folga da vitória democrata chamou atenção até em estados tradicionalmente republicanos, como Texas e Geórgia. Em entrevista ao New York Times, Trump atribuiu a derrota à própria ausência na cédula.
Eu não estava lá, e por causa disso, não conseguimos fazer as pessoas saírem para votar.
O vice-presidente J.D. Vance preferiu se distanciar do resultado. Em vez disso, apontou a guerra no Irã como o principal motivo da derrota histórica republicana.
O que o avanço democrata muda para o Brasil
Para o governo Lula, o avanço democrata reduz o espaço de aliados bolsonaristas no Congresso americano e pode destravar dois temas represados: o aval ao embaixador dos Estados Unidos no Brasil e o ritmo das negociações sobre o tarifaço aos produtos brasileiros.
O governo havia adiado o aval ao embaixador dos Estados Unidos até depois das eleições de meio de mandato. Agora avalia conceder a Daniel Perez o agrément, autorização diplomática necessária para que ele assuma oficialmente a embaixada em Brasília.
Em contrapartida, o Brasil espera que Trump devolva o visto de múltiplas entradas à embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O documento foi revogado em julho, depois de o governo brasileiro negar vistos a dois diplomatas americanos.
O novo Congresso democrata pode pressionar Trump sobre o tarifaço. Ainda assim, o governo brasileiro não espera recuo nas tarifas já aplicadas aos produtos do país. Segundo o Valor, a leitura é a de que a negociação já chegou a um ponto de acomodação.
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Dentro do Planalto, a leitura é a de que o enfraquecimento republicano amplia o espaço para a retomada de investigações contra brasileiros nos Estados Unidos, caso de Alexandre Ramagem.
O ex-diretor da Abin foi condenado pelo STF a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por participação na trama golpista. Ele deixou o Brasil antes de começar a cumprir a pena e hoje vive nos Estados Unidos.
A mudança de cenário no Congresso americano é o que, segundo auxiliares de Lula, pode reabrir casos como o de Ramagem e de outros brasileiros nos Estados Unidos.
Entre os nomes observados estão também Flávio Bolsonaro, o filho dele Eduardo Bolsonaro e os foragidos do 8 de Janeiro. Aliados do governo avaliam que não deve haver reversão de curto prazo nessas situações.
Na leitura de um diplomata brasileiro, mudanças reais no status desses nomes só devem ocorrer se o Partido Democrata também vencer a Casa Branca em 2028.
A pressão já aparece no Congresso: parlamentares democratas cobram explicações do secretário de Estado Marco Rubio sobre a fuga de Flávio ao país.
O que acontece agora
Mauro Vieira e Marco Rubio devem se reunir à margem da cúpula de chanceleres do G7, em Paris, marcada para segunda-feira (9 de novembro) e terça-feira (10 de novembro).
O encontro deve alinhar os temas pendentes entre os dois países, da concessão do agrément ao ritmo do tarifaço. Não há, porém, previsão de reunião entre os dois presidentes este mês.






























